Imóveis

Como mudanças climáticas estão afundando prédios na Europa

14 set 2026, 9:54
londres prédios reino unido inglaterra
Imagem: Colin / Wikimedia Commons

Enquanto o El Niño não permite que brasileiros guardem as roupas de frio, na Europa, o fenômeno está levando calor extremo — e isso está fazendo prédios afundarem.

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Viver o verão europeu é um sonho para muitos. Neste ano, porém, a ideia está mais próxima de um pesadelo. Isso porque, pela primeira vez, a época está causando rachaduras nas paredes, portas emperradas e janelas deformadas.

Londres e demais cidades do sudeste da Inglaterra estão passando por uma onda de calor nunca vista antes. Como consequência, escolas estão fechando, trilhos de trem estão deformando e, até mesmo, casas afundam.

Por que casas estão afundando na Europa?

A soma entre calor e seca está resultando em um problema de subsidência do solo. Na prática, isso significa que à medida que o calor resseca o solo da cidade, o terreno se desloca e encolhe, puxando os edifícios para baixo.

O solo dessa parte do Reino Unido é argiloso. Por isso, quando está úmido, esse solo funciona como uma esponja, absorvendo água e expandindo.

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Quando está seco, o efeito é o que acontece é chamado de “encolhimento-expansão” (shrink-swell). Isso significa que o solo “encolhe” de forma desigual sob as fundações das construções. Como consequência, imóveis afundam, o que leva a rachaduras e danos estruturais.

Além de comumente registrar as maiores temperaturas do país, Londres é ainda mais vulnerável ao efeito devido aos tipos de argila que foi construída. O solo londrino conta com minerais expansivos altamente sensíveis às mudanças de umidade.

Mas há outro fator que traz essas consequências: as árvores e plantas. Durante o calor, as raízes crescem em busca de água e, enquanto crescem, buscam o solo mais úmido por perto. O resultado é um terreno ainda mais seco.

E, para piorar, imóveis mais antigos são os mais vulneráveis ao efeito. O problema é que mais da metade das casas da cidade foram construídas antes de 1945.

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Em muitas áreas de Londres, 100% dos imóveis podem enfrentar risco possível ou provável de subsidência até 2030, o que inclui regiões centrais como Kensington, City of London e Westminster. O dado vem de uma apuração da CNN com a seguradora britânica Aviva.

Fenômeno pode impactar o setor imobiliário

A apuração da CNN também falou com Bob Gibson, especialista em subsidência e diretor da consultoria Building & Structural Consultants.

Quando Gibson começou a trabalhar na área, há 40 anos, a questão centralizava na região sudeste da Inglaterra, porém:

“Mas, com as mudanças climáticas, ele agora afeta muitas outras partes do Reino Unido”.

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Gibson explicou também que em verões quentes e secos, há uma explosão no número de pedidos de indenização relacionados à subsidência.

No ano passado, o Reino Unido também teve um verão extraordinariamente quente. Como consequência, o setor de seguros desembolsou um recorde de US$ 415 milhões em indenizações ligadas ao problema. Isso representou uma alta de 10% em relação a 2024, segundo a Associação das Seguradoras Britânicas (ABI).

E, para Gibson, esses números devem engordar neste ano.

No segundo trimestre de 2026, as seguradoras pagaram mais de US$ 97 milhões em indenizações relacionadas à subsidência no Reino Unido.

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Em média, o valor das reivindicações atingiu um recorde de US$ 27 mil, mais de US$ 2.700 acima do registrado no mesmo período do ano anterior, segundo a ABI.

Somente em Londres, mais de 26% dos imóveis podem ser afetados até 2070 se o aquecimento global continuar em ritmo semelhante ao atual, segundo dados do BGS.

*Com informações da CNN

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.

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