Comprar ou vender?

Comprar na alta? XP desafia ‘máxima’ ao olhar para o Ibovespa, IDIV e S&P 500 nos últimos 15 anos

03 jul 2026, 12:07 - atualizado em 03 jul 2026, 12:11
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(iStock: primeimages)

Ao analisar os últimos 15 anos, a XP Investimentos buscou verificar se a estratégia de investir no índice sempre que ele atinge um novo recorde pode gerar retornos positivos no longo prazo, desafiando a máxima de que o melhor momento para comprar ações é durante as quedas do mercado.

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No estudo conduzido pelos estrategistas Rachel de Sá, Raphael Figueredo, Bruna Sene e Antônio Sanches, o resultado aponta que a consistência sempre é a ganhadora, com o tempo investidor sendo mais importante do que o ponto de entrada.

Ainda assim, não dá para cravar uma visão “preto no branco”, uma vez que a estratégia traz resultados variados, dizem.

“Porém, em todos os índices testados, há um fator que se repete: o investidor que simplesmente
aportasse todo mês a partir do primeiro recorde teria saído melhor do que quem esperou o gatilho do
recorde para cada compra
“, afirma a corretora.

Ibovespa

O Ibovespa (IBOV), conforme mencionado no estudo, ficou seis anos sem apresentar recorde, com o investidor que decidiu aportar em 2011 esperando até 2017 para ver um pico do índice.

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Em uma simulação, a XP chegou ao resultado de que, caso o investidor que aportasse todo mês a partir do primeiro recorde, sem tentar acertar o momento certo, teria se saído um pouco melhor do quem esperou o gatilho de nova máxima do IBOV.

No entanto, os analistas ressaltam que é importante calibrar expectativas.

“O Ibovespa é um índice diversificado, com setores cíclicos e exposto fortemente a commodities. Historicamente, períodos de alta forte foram intercalados com longas lateralizações. A estratégia de comprar a cada novo recorde trouxe um prêmio modesto em relação ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), mas não superou a consistência do investimento mensal”, detalha a corretora.

Índice de Dividendos

O Índice de Dividendos (IDIV) reúne as ações que se destacaram em termos de remuneração dos investidores e foi o destaque do estudo. Segundo a corretora, o IDIV, diferentemente do Ibovespa, manteve-se próximo dos recorde ao longo de quase toda a década, dado que o índice é recente. Assim, a regra disparou 53 aportes no período, começando em 6 de maio de 2011.

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Com isso, a estratégia de investir a cada novo recorde entregou 128,1% de retorno total ao longo dos 15 anos, com vantagem de R$ 41,5 mil sobre o CDI (cerca de +26%).

Esse resultado superior, detalha, está atrelado a um fator estrutural: as empresas que compõem o IDIV são majoritariamente pagadoras consistentes de dividendos.

“O índice é construído com critério de retorno aos acionistas, o que tende a filtrar empresas com fluxo de caixa estável e perfil mais defensivo. Quando essas empresas batem recordes de preço, costuma ser um sinal de melhora de fundamentos”, detalha a corretora.

Mas, novamente, o investidor que manteve a consistência foi quem se destacou. Segundo a XP, mesmo em um índice “estruturalmente vencedor”, a disciplina de investir todos os meses superou a tentativa de buscar os melhores momentos de entrada.

S&P 500

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Pelo estudo, o S&P 500 foi o índice que entregou o melhor retorno absoluto.

“Em dólares, o principal índice acionário americano multiplicou o capital por 2,66 vezes. Em reais, considerando o efeito câmbio capturado pela estratégia (alta de aproximadamente 32% entre o câmbio médio das compras e o câmbio final), o valor total aportado se múltiplicou por 3,5 vezes“, afirma a XP.

Outro ponto destacado pelos analistas é a frequência de aportes na estratégia: 88 em pouco mais de 13 anos.

De acordo com os dados da corretora, o S&P 500 bateu novos topos em cerca de dois terços dos meses analisados, sinal claro de que a bolsa norte-americana esteve em um regime de alta estrutural ao longo de quase todo o período de análise.

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“Nesse caso, o investidor que esperou “cair” para entrar perdeu boa parte das oportunidades de alocação mensal. Entretanto, novamente – mesmo considerando o índice com melhor performance – a estratégia vencedora foi a consistência”, diz.

Em mercados estruturalmente em alta, a XP avalia que esperar quedas para aportar tende a custar caro, e esperar novos recordes pode significar pagar preço mais alto na média.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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