Comprar na alta? XP desafia ‘máxima’ ao olhar para o Ibovespa, IDIV e S&P 500 nos últimos 15 anos
Ao analisar os últimos 15 anos, a XP Investimentos buscou verificar se a estratégia de investir no índice sempre que ele atinge um novo recorde pode gerar retornos positivos no longo prazo, desafiando a máxima de que o melhor momento para comprar ações é durante as quedas do mercado.
No estudo conduzido pelos estrategistas Rachel de Sá, Raphael Figueredo, Bruna Sene e Antônio Sanches, o resultado aponta que a consistência sempre é a ganhadora, com o tempo investidor sendo mais importante do que o ponto de entrada.
Ainda assim, não dá para cravar uma visão “preto no branco”, uma vez que a estratégia traz resultados variados, dizem.
“Porém, em todos os índices testados, há um fator que se repete: o investidor que simplesmente
aportasse todo mês a partir do primeiro recorde teria saído melhor do que quem esperou o gatilho do
recorde para cada compra“, afirma a corretora.
Ibovespa
O Ibovespa (IBOV), conforme mencionado no estudo, ficou seis anos sem apresentar recorde, com o investidor que decidiu aportar em 2011 esperando até 2017 para ver um pico do índice.
Em uma simulação, a XP chegou ao resultado de que, caso o investidor que aportasse todo mês a partir do primeiro recorde, sem tentar acertar o momento certo, teria se saído um pouco melhor do quem esperou o gatilho de nova máxima do IBOV.
No entanto, os analistas ressaltam que é importante calibrar expectativas.
“O Ibovespa é um índice diversificado, com setores cíclicos e exposto fortemente a commodities. Historicamente, períodos de alta forte foram intercalados com longas lateralizações. A estratégia de comprar a cada novo recorde trouxe um prêmio modesto em relação ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), mas não superou a consistência do investimento mensal”, detalha a corretora.
Índice de Dividendos
O Índice de Dividendos (IDIV) reúne as ações que se destacaram em termos de remuneração dos investidores e foi o destaque do estudo. Segundo a corretora, o IDIV, diferentemente do Ibovespa, manteve-se próximo dos recorde ao longo de quase toda a década, dado que o índice é recente. Assim, a regra disparou 53 aportes no período, começando em 6 de maio de 2011.
Com isso, a estratégia de investir a cada novo recorde entregou 128,1% de retorno total ao longo dos 15 anos, com vantagem de R$ 41,5 mil sobre o CDI (cerca de +26%).
Esse resultado superior, detalha, está atrelado a um fator estrutural: as empresas que compõem o IDIV são majoritariamente pagadoras consistentes de dividendos.
“O índice é construído com critério de retorno aos acionistas, o que tende a filtrar empresas com fluxo de caixa estável e perfil mais defensivo. Quando essas empresas batem recordes de preço, costuma ser um sinal de melhora de fundamentos”, detalha a corretora.
Mas, novamente, o investidor que manteve a consistência foi quem se destacou. Segundo a XP, mesmo em um índice “estruturalmente vencedor”, a disciplina de investir todos os meses superou a tentativa de buscar os melhores momentos de entrada.
S&P 500
Pelo estudo, o S&P 500 foi o índice que entregou o melhor retorno absoluto.
“Em dólares, o principal índice acionário americano multiplicou o capital por 2,66 vezes. Em reais, considerando o efeito câmbio capturado pela estratégia (alta de aproximadamente 32% entre o câmbio médio das compras e o câmbio final), o valor total aportado se múltiplicou por 3,5 vezes“, afirma a XP.
Outro ponto destacado pelos analistas é a frequência de aportes na estratégia: 88 em pouco mais de 13 anos.
De acordo com os dados da corretora, o S&P 500 bateu novos topos em cerca de dois terços dos meses analisados, sinal claro de que a bolsa norte-americana esteve em um regime de alta estrutural ao longo de quase todo o período de análise.
“Nesse caso, o investidor que esperou “cair” para entrar perdeu boa parte das oportunidades de alocação mensal. Entretanto, novamente – mesmo considerando o índice com melhor performance – a estratégia vencedora foi a consistência”, diz.
Em mercados estruturalmente em alta, a XP avalia que esperar quedas para aportar tende a custar caro, e esperar novos recordes pode significar pagar preço mais alto na média.