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Copom corta Selic, mas evita se comprometer com novos cortes; o que vem a seguir?

05 ago 2026, 19:44 - atualizado em 05 ago 2026, 20:09
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(Imagem: Andrzej Rostek/ iStock)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano. A decisão veio em linha com a expectativa do mercado e marca a continuidade do ciclo de flexibilização iniciado em junho.

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No comunicado divulgado após a decisão, o BC adotou uma postura mais cautelosa e não indicou os próximos passos da política monetária. O Comitê reforçou que a condução dos juros continuará dependente da evolução dos dados, enquanto reconheceu sinais de desaceleração gradual da atividade econômica e uma melhora da inflação corrente.

Para os economistas, o comunicado trouxe alguns sinais positivos. O Copom reconheceu uma desaceleração gradual da atividade econômica e uma melhora da inflação corrente na margem. “O Comitê reconheceu uma moderação na atividade, alguns sinais de perda de tração”, afirmou Rodolfo Margato, economista da XP, destacando a mudança em relação ao comunicado anterior, que apontava para uma aceleração dos indicadores.

Na avaliação de Margato, a alteração na leitura da economia está em linha com os dados mais recentes. “A gente chama atenção para essa mudança na caracterização de atividade, saindo de aceleração no último comunicado para sinais de moderação no documento divulgado hoje”, disse.

A inflação também apresentou melhora no curto prazo, embora ainda permaneça acima da meta de 3%. O problema é que o cenário ainda está longe de ser confortável para o Banco Central. O Copom manteve o balanço de riscos assimétrico para cima, citando a desancoragem das expectativas de inflação, além de riscos relacionados a petróleo, câmbio e choques climáticos.

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Esse também foi um dos pontos que mais chamou a atenção de Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos. “Um ponto de destaque no comunicado é a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas, o que, segundo o BC, aumenta o custo da desinflação”, afirmou.

O ambiente externo também segue no radar, diante das incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio e a condução da política monetária nas economias avançadas. Para Margato, apesar da melhora recente, ainda existem desafios importantes. “Ainda que reconhecendo uma melhora no cenário de curto prazo, há preocupação ainda com horizontes mais longos e alguns fatores de pressão”, disse.

Ao mesmo tempo, o Copom manteve em 3,2% sua projeção para a inflação no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária. Embora esteja acima da meta de 3%, a estimativa é considerada próxima do objetivo.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o número é importante porque mostra que a projeção do BC permanece “ao redor da meta” e é compatível com o corte realizado nesta quarta-feira. Segundo ele, apesar dos riscos, o Comitê “manteve a porta aberta para ajustes adicionais caso a evolução da atividade, da inflação e das expectativas justifique novos movimentos à frente”.

E agora?

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A grande discussão para o mercado passa a ser se o Copom terá conforto para cortar novamente 0,25 ponto percentual em setembro ou se fará uma pausa em 14% para avaliar os efeitos da política monetária.

A MAG Investimentos está entre as casas que esperam continuidade. Para Felipe Rodrigo de Oliveira, o comunicado “deixa espaço para mais cortes, contudo sem se comprometer em dar um guidance”. A projeção da casa, neste momento, é de mais uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,75%.

“Mas, a princípio, acreditamos que o BC deverá cortar mais uma vez a taxa básica em 0,25 p.p para 13,75%”, afirmou o economista. A MAG, porém, espera a ata da reunião para obter mais clareza sobre a discussão dentro do Comitê e calibrar o cenário.

Na XP, a leitura é mais cautelosa. A casa mantém a projeção de Selic em 14% até o fim de 2026, com uma pausa para avaliação do cenário. Margato ressalta, contudo, que a porta para novos cortes não está fechada.

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“Se os próximos dados econômicos de atividade de inflação continuarem fracos, abaixo das projeções, o Copom deve optar por seguir o ciclo de calibração de juros”, afirmou. Nesse caso, segundo ele, a redução ocorreria novamente no ritmo de 0,25 ponto percentual.

O ASA também trabalha com Selic em 14% nas próximas reuniões, mas reconhece um risco maior de cortes adicionais. Segundo a casa, “há conforto do BC em cortar juros no atual ritmo, perante um cenário marginalmente melhor domesticamente”.

Já a Arton Advisors avalia que o ciclo de flexibilização continua, mas sem uma trajetória previamente definida. “A mensagem é de que o ciclo de queda da Selic permanece em curso, mas sem compromisso com um ritmo mais acelerado”, afirmou Raphael Vieira, head de Investimentos da Arton.

Para Vieira, os próximos movimentos dependerão principalmente da evolução da atividade econômica, das expectativas de inflação e do cenário fiscal. Como o corte desta quarta-feira já estava amplamente precificado, a decisão em si tende a ter impacto limitado nos mercados.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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