Taxa Selic

Copom deve cortar Selic nesta reunião, mas dezembro fica em dúvida, diz economista

03 nov 2026, 7:00
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Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar a taxa Selic na próxima reunião, nesta terça e quarta-feira, mas uma nova redução em dezembro dependerá da evolução do cenário fiscal, do dólar e das expectativas de inflação.

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Esta é a avaliação de Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, que vê menos espaço para o Banco Central flexibilizar a política monetária diante da piora dessas variáveis.

“Eu acredito que ele corta agora, porque isso já está na conta”, afirma. Para dezembro, porém, a economista considera que a decisão ainda está em aberto: caso as expectativas continuem piorando, o BC pode ficar sem espaço para fazer a última redução do ano.

Segundo Kawauti, a mudança de cenário pode chegar às projeções do Banco Central já na próxima reunião. Isso porque as expectativas de mercado utilizadas nos modelos da instituição vão incorporar a revisão das perspectivas ao longo desta semana.

Uma combinação de piora fiscal, maior estímulo à demanda e dólar mais alto tende a pressionar a inflação projetada e, consequentemente, limitar os cortes da Selic.

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“Não acho que encerra o ciclo, mas ele funciona de verdade como limitador”, diz, sobre o impacto desse cenário na trajetória dos juros.

Dezembro depende das expectativas

Na avaliação da economista, a desaceleração da atividade abre espaço para a redução dos juros. Esse efeito, entretanto, pode ser contrabalançado pela depreciação do real e pela deterioração das expectativas de inflação.

Se essas pressões persistirem até dezembro, o Banco Central poderá enfrentar um cenário menos favorável para continuar cortando a Selic, mesmo com a economia perdendo força.

Kawauti considera que a mudança nas perspectivas deve aparecer na comunicação da próxima reunião, ainda que o Copom mantenha o corte esperado.

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O impacto também pode se estender a 2027. Segundo ela, a piora do cenário tende a restringir o espaço para novas reduções no próximo ano, dificultando a chegada da Selic aos níveis que o mercado vinha projetando.

Juros elevados podem aprofundar a desaceleração

A manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo também traz riscos para a atividade. Kawauti explica que a expectativa de desaceleração da economia em 2027 seria amenizada por uma Selic menor – alívio que pode perder força se o cenário inflacionário limitar os cortes.

Nesse contexto, a economista vê a possibilidade de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 1% no próximo ano, com inflação mais alta e atividade praticamente estagnada.

Uma recessão não é seu cenário mais provável, mas permanece entre os riscos, especialmente se os juros elevados vierem acompanhados de maior inadimplência das famílias e de dificuldades para as empresas.

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Mesmo sem uma recessão, Kawauti considera bastante provável que haja pelo menos um trimestre de queda do PIB em relação aos três meses anteriores.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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