Copom pausa cortes e mantém taxa Selic em 13,75% ao ano; veja detalhes
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião desta quarta-feira (4). A decisão foi unânime e interrompeu um ciclo de flexibilização dos juros básicos que se estendeu por cinco reuniões, de março a setembro deste ano.
A maior parte dos agentes financeiros esperava a manutenção dos juros depois da virada de expectativas que sucedeu o resultado eleitoral. Na última semana, as apostas do mercado se concentraram na manutenção da Selic em 13,75%, segundo as Opções do Copom, negociadas na B3.
Além disso, a escalada do conflito no Oriente Médio que mantém o preço do petróleo no nível de US$ 100 por barril e o impacto do El Niño nas safras de alimentos também adicionam pressão às expectativas inflacionárias.
Ao anunciar a manutenção, o comunicado do Copom diz que o ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas.
O BC avalia que os riscos para a inflação continuam mais elevados que o normal e com assimetria altista, ou seja, com maior peso para fatores capazes de pressionar a inflação para cima.
Entre eles, estão a desancoragem das expectativas, possíveis efeitos dos preços do petróleo, inflação de serviços mais resistente, câmbio depreciado e estímulos ao consumo.
Para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, o Copom destaca que a projeção aumentou para 3,5%, ante 3,2% anteriormente.
Nesta semana, a projeção do mercado para 2028, consolidadas no Boletim Focus, indicava uma expectativa de IPCA a 4% em 2028, bastante acima da meta de 3% e da projeção da semana anterior, de 3,75%. O texto do comunicado destaca o aumento no curto prazo, de 2026 e 2027, que foram para 5,2% e 4,8%, respectivamente
Atividade desacelera, mas emprego segue forte
No cenário doméstico, o Copom reconheceu a desaceleração da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. Ao mesmo tempo, destacou que a economia ainda permanece resiliente e que o mercado de trabalho segue aquecido.
Além disso, o comunicado indica que o cenário fiscal das contas públicas permanece no radar. O comitê afirmou que continuará acompanhando os impactos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.
Sobre o ambiente externo, o comunicado do Copom deu mais espaço para as incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio, a política monetária das economias avançadas e a volatilidade dos preços de ativos e commodities.
Diante de todo esse cenário, o BC reforçou que o contexto atual, caracterizado por taxa Selic “substancialmente contracionista”, aumento significativo das incertezas, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, “apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”.