Coreia do Sul quer regras mais rígidas para criptomoedas após distribuição acidental de US$ 40 bilhões
O órgão regulador do mercado financeiro da Coreia do Sul afirmou nesta segunda-feira (9) que a distribuição não intencional de mais de US$ 40 bilhões em bitcoin pela corretora local Bithumb a seus clientes evidencia a necessidade de regulamentações mais rigorosas para lidar com as vulnerabilidades das criptomoedas.
A corretora de criptomoedas disse no sábado (7) que havia distribuído acidentalmente os bitcoins aos clientes como recompensas promocionais, o que desencadeou uma forte onda de vendas na plataforma.
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Lee Chan-jin, presidente do Serviço de Supervisão Financeira (FSS, na sigla em inglês), disse em entrevista coletiva que há necessidade de aprimorar os mecanismos regulatórios para enfrentar esse tipo de risco, acrescentando que as autoridades considerarão seriamente os problemas revelados pelo incidente enquanto buscam enquadrar os ativos digitais sob controle regulatório por meio de legislação.
“É um caso que mostra os problemas estruturais dos sistemas eletrônicos para ativos virtuais. Há muitas áreas que estamos analisando seriamente, e estamos particularmente preocupados com a questão dos sistemas eletrônicos”, disse Lee.
“Há tarefas para melhorar significativamente o sistema regulatório, à medida que os ativos virtuais estão em processo de incorporação ao sistema financeiro tradicional”, acrescentou.
A Coreia do Sul introduziu a Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais em julho de 2024 para dar mais proteção aos investidores em criptomoedas, após a forte queda do mercado em 2022 desencadeada pelo colapso das criptomoedas terraUSD e luna.
O governo pretende apresentar outro projeto de lei que amplie ainda mais o controle regulatório sobre os ativos digitais, enquanto discussões também estão em andamento entre formuladores de políticas e legisladores sobre stablecoins denominadas em won.
“É lamentável que um incidente como esse tenha ocorrido em um momento em que havia movimentos por parte de instituições financeiras para fomentar o setor, como operações de fusões e aquisições, com base na expectativa de maior apoio político, que agora será adiado”, disse um analista de mercado, sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema.
Do total de 620 mil bitcoins distribuídos pela Bithumb na sexta-feira, 99,7% foram recuperados pela corretora, de acordo com os resultados iniciais da investigação das autoridades financeiras. Dos 1.786 bitcoins já vendidos antes de a corretora suspender as transações, 93% foram recuperados.
Sobre reportagens da mídia de que a Bithumb distribuiu mais bitcoins do que efetivamente possuía, Lee, do FSS, afirmou que a questão das “moedas fantasmas” terá de ser resolvida primeiro para que as criptomoedas se tornem ativos financeiros tradicionais.
Aqueles que já venderam os bitcoins distribuídos acidentalmente estão legalmente obrigados a devolvê-los à corretora, acrescentou Lee.
Sobre o plano do governo de introduzir produtos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista, Lee disse que expressará uma posição cautelosa, afirmando que a estabilidade precisa ser garantida para que o ativo possa ser considerado parte do sistema financeiro tradicional.