Banco Central Europeu: Correção no mercado de inteligência artificial (IA) está por vir
Uma correção no mercado das ações do setor de tecnologia nos Estados Unidos é provável e pode ter consequências de longo alcance devido às limitações do espaço fiscal e monetário para amenizar o possível impacto econômico, segundo uma postagem no blog do Banco Central Europeu divulgada nesta segunda-feira (17).
Os investidores têm se lançado em massa às ações do setor de tecnologia, apostando que a inteligência artificial (IA) alterará fundamentalmente a economia global, e as valorizações das principais empresas de tecnologia estão agora muito acima das médias históricas.
“Pesquisas econômicas sobre revoluções tecnológicas passadas apontam para uma conclusão preocupante: é provável que ocorra uma correção nas atuais valorizações do mercado de ações”, afirmou a postagem no blog, que não reflete necessariamente a opinião do BCE.
Mesmo que a tecnologia seja bem-sucedida e os lucros aumentem, as ações ainda podem cair, pois é difícil atender às expectativas excessivamente otimistas dos mercados em relação ao crescimento dos lucros, acrescentou a postagem.
Tendências psicológicas também apontam para uma correção, argumentou o blog. Investidores excessivamente otimistas tendem a elevar os preços além dos fundamentos. Então, quando o otimismo se esvai, os preços tendem a cair ainda mais acentuadamente do que em um cenário racional, afirmou a postagem.
Para a Europa, uma correção no mercado dos EUA seria uma questão de estabilidade financeira, já que as famílias têm uma exposição de 440 bilhões de euros às chamadas ações dos “Sete Magníficos” — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla —, enquanto a exposição das empresas de previdência e seguros é praticamente a mesma.
“O cenário mais grave não é a correção do mercado acionário por si só, mas uma correção que coincida com uma instabilidade mais ampla do mercado que as autoridades não consigam acalmar facilmente: ao contrário do que ocorreu no episódio das empresas ponto-com, o ponto de partida atual deixa um espaço significativamente menor para reduzir as taxas de juros ou usar a política fiscal para amortecer as consequências”, afirmou o blog.
Embora as valorizações das ações europeias pareçam mais racionais, os movimentos do mercado estão intimamente correlacionados com os dos EUA, de modo que as ações locais também serão afetadas, afirmou o blog, acrescentando que o momento exato da correção “é impossível de prever com antecedência”.
“Esses padrões de expansão e recessão só são identificáveis em retrospecto”, afirmou.