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Crédito da China? Parceria com seguradora estatal estende prazos para produtores brasileiros

24 abr 2026, 12:11 - atualizado em 24 abr 2026, 13:09
crédito china
(iStock.com/coffeekai)

Em meio a um cenário de juros elevados no Brasil e pressão crescente sobre o capital de giro, uma solução pouco conhecida começa a ganhar espaço entre importadores que abastecem o agronegócio: o crédito comercial viabilizado por uma seguradora estatal chinesa.

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A proposta passa pela atuação da Sinosure, empresa estatal chinesa especializada em seguro de crédito à exportação, que garante operações de exportação da China e, na prática, permite que empresas brasileiras comprem insumos, fertilizantes e equipamentos com pagamento postergado — algo incomum nas negociações com fornecedores chineses.

“A Sinosure protege o exportador contra inadimplência. Com isso, ele consegue oferecer prazo ao importador, que deixa de pagar antecipado e passa a pagar depois de receber e vender a mercadoria”, explica Ícaro Moro, gerente de crédito à importação da Axton Global.

É nesse ponto que entra a Axton. A empresa atua como intermediária e estruturadora das operações, conectando importadores brasileiros ao sistema da Sinosure. Na prática, a consultoria organiza o processo de análise de crédito, faz a ponte com exportadores chineses e acompanha a operação até a liberação e uso do limite.

A parceria foi firmada no primeiro trimestre entre a Axton Global e a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC).

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“A gente funciona como facilitador. A Sinosure não atua diretamente com o importador brasileiro, então nosso papel é viabilizar o acesso a esse mecanismo e garantir que a operação aconteça de forma estruturada e segura”, afirma Moro.

Na prática, o modelo assegura o risco de inadimplência do importador e garante o pagamento ao exportador chinês. Com essa proteção, os fornecedores conseguem conceder prazos estendidos — normalmente entre 90 e 120 dias — aos compradores brasileiros, sem necessidade de antecipação integral ou dependência de crédito bancário local.

“Mesmo empresas com demanda não conseguem crescer porque precisam imobilizar muito caixa ou recorrer a crédito caro. Isso pressiona margem. O prazo resolve esse problema”, diz.

A Axton, fundada em 2008 com escritórios em Hong Kong e Xangai, surgiu justamente para atacar esse descompasso entre produção, demanda e financiamento no comércio internacional. Ao estruturar operações com base na Sinosure, a empresa busca reduzir o custo financeiro das importações e aliviar a pressão sobre o caixa das companhias.

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Quem pode acessar o crédito?

Criada em 2001, a Sinosure é hoje uma peça central da estratégia chinesa de exportação. Em 2024, a estatal cobriu cerca de US$ 1 trilhão em embarques, o equivalente a aproximadamente 28% de tudo que o país exporta. No Brasil, a estimativa é de que mais de 10 mil empresas já utilizem o mecanismo.

Apesar da escala, o instrumento ainda é pouco conhecido por aqui. “É bastante obscuro. Muitas empresas nunca ouviram falar. Nosso trabalho tem sido justamente apresentar essa alternativa”, afirma Moro.

O acesso ao modelo, no entanto, não é irrestrito. A aprovação depende de critérios mínimos definidos pela Sinosure, principalmente relacionados ao porte e histórico financeiro das empresas.

“De forma geral, estamos falando de importadores que já têm alguma recorrência com a China, com volumes a partir de US$ 200 mil por ano e faturamento acima de US$ 1 milhão”, explica.

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Além disso, é necessário ter ao menos um ano de demonstrações financeiras consistentes. Por outro lado, há poucas restrições em relação aos produtos — com exceção de cargas consideradas de alto risco, como itens perigosos ou perecíveis.

“Se o importador atende aos critérios financeiros, a ferramenta é bastante ampla. O principal filtro não é o produto, é a capacidade de pagamento”.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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