Usiminas (USIM5) vê custos subindo por guerra e projeta Ebitda estável após 1T forte
Após um primeiro trimestre de recuperação, a Usiminas (USIM5) já aponta para um cenário mais pressionado à frente, com alta de custos devendo limitar a expansão de margens no segundo trimestre.
Na teleconferência, realizada na manhã desta sexta-feira (24), o CEO Marcelo Chara afirmou que parte relevante dessa pressão ainda não foi capturada nos números do 1T26, por conta da defasagem entre a contratação de insumos e seu reconhecimento no resultado. “O aumento de custos de matérias-primas, energia e fretes deve ser mais percebido ao longo do segundo trimestre.”
Na teleconferência, o CEO Marcelo Chara afirmou que parte relevante dessa pressão ainda não foi capturada nos números do 1T26, por conta da defasagem entre a contratação de insumos e seu reconhecimento no resultado. “O aumento de custos de matérias-primas, energia e fretes deve ser mais percebido ao longo do segundo trimestre.”
Segundo o executivo, esse movimento está inserido em um contexto global mais desafiador, com impactos indiretos da guerra no Oriente Médio pressionando energia, logística e insumos industriais.
O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Diego Garcia, reforçou que esse cenário deve limitar ganhos no curto prazo. Segundo ele, a companhia projeta Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) estável no 2T26, com preços mais altos sendo compensados pelo avanço dos custos.
“Devemos ter melhora na receita por tonelada, mas com pressão do lado de custos, o que deve levar a uma estabilidade no Ebitda”, disse.
Siderurgia volta a ser destaque para a Usiminas
Apesar disso, a siderurgia segue como principal motor do resultado. No 1T26, o segmento entregou Ebitda ajustado de R$ 544 milhões, alta de 140% frente ao trimestre anterior, sustentado por preços mais altos, ganhos de eficiência e melhora no mix de vendas.
Sobre isso, o CEO destacou: “Tivemos melhor mix de vendas, com maior participação do segmento automotivo, além de preços mais altos e ganhos de eficiência. Esse conjunto foi fundamental para a evolução do resultado da siderurgia no trimestre.”
Além do efeito operacional, a companhia vê uma mudança relevante no ambiente competitivo com as medidas antidumping implementadas pelo governo brasileiro começando a surtir efeito no mercado doméstico. “As medidas adotadas devem contribuir para um reequilíbrio do mercado, com normalização dos estoques e melhora gradual de preços e volumes ao longo dos próximos meses.”, afirmou Chara.
Na prática, as tarifas elevam o custo do aço importado e reduzem a pressão sobre os produtores locais, ainda que o impacto seja gradual, diante do nível elevado de importações recentes.
Do outro lado, a mineração segue sem contribuir para a expansão do resultado. No 1T26, o segmento registrou EBITDA de R$ 111 milhões, pressionado por queda de volumes e aumento de custos.
O vice-presidente Comercial, Miguel Homes Camejo, explicou que o desempenho foi impactado por fatores sazonais e operacionais. “Os volumes foram impactados por chuvas e questões operacionais no período, o que afetou produção e embarques.”
Para os próximos meses, a expectativa é de recuperação de volumes, mas também com custos mais elevados, especialmente na logística. “Devemos observar aumento de volumes na mineração, mas acompanhado de custos mais altos, principalmente com fretes”, completou o executivo.
No consolidado, a leitura da teleconferência é de que o 1T26 foi beneficiado por preço, mix e custos ainda defasados, enquanto os próximos trimestres devem refletir um cenário de maior pressão sobre margens.
No trimestre, a Usiminas reportou EBITDA ajustado de R$ 653 milhões, alta de 56% frente ao 4T25, e lucro líquido de R$ 896 milhões.