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Crescimento moderado, Selic ainda alta e um “calcanhar de Aquiles”: a economia brasileira em 2026, segundo Mansueto Almeida, do BTG

21 jan 2026, 10:55 - atualizado em 21 jan 2026, 9:04

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O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, traçou um cenário cautelosamente otimista para o Brasil neste ano, marcado por eleições presidenciais, Copa do Mundo e início de ciclo de corte de juros, em painel de abertura do evento “Onde Investir em 2026”, promovido pelo portal Seu Dinheiro, parceiro do Money Times.

Segundo ele, apesar de fundamentos positivos, como desemprego baixo e inflação controlada, o risco fiscal emerge como o maior calcanhar de Aquiles, podendo definir um caminho binário para 2027: recuperação sustentada ou retorno a juros elevados e incerteza.

Crescimento do PIB desacelera

Mansueto projeta expansão do PIB entre 1,8% e 2% em 2026, abaixo dos 2,2% estimados para 2025 e bem inferior aos ritmos acima de 3% observados no pós-pandemia (2021-2024).

“É uma economia que vai crescer, mas de forma desigual”, afirma o economista.

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Setores sensíveis ao crédito devem sofrer mais com os juros altos, enquanto o consumo das famílias deve avançar entre 1,5% e 2%, sustentado por salários reais em alta e massa salarial elevada.

O desemprego, que estava em 5,2%, mínima histórica, segundo os dados mais recentes, deve subir levemente para cerca de 6% ao final do mandato atual — patamar ainda historicamente baixo, aponta o economista.

“O Brasil precisa gerar cerca de 900 mil vagas por ano para crescer 2%, o que não é difícil”, observou Mansueto, destacando a falta de mão de obra qualificada em áreas como infraestrutura, com um déficit estimado de 75 mil engenheiros.

Inflação sob controle, mas serviços pressionam

A inflação deve fechar 2026 em torno de 4%, após a surpresa positiva verificada em 2025, quando fechou em 4,26%. A média do governo atual deve ficar em 4,4%, considerada baixa historicamente.

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Segundo o economista, fatores como apreciação do real em 2025 e política monetária restritiva ajudaram a conter pressões, embora a inflação de serviços permaneça elevada (cerca de 6%).

Ciclo de corte da Selic começa, mas juros reais seguem altos

O Banco Central deve iniciar os cortes na Selic ainda no primeiro trimestre, reforça o economista — possivelmente com 0,25 ponto em janeiro ou mais provavelmente em março, dado o tom cauteloso da autoridade monetária em seu último comunicado.

O consenso de mercado aponta para redução total de 200 a 300 pontos-base ao longo do ano, levando a taxa básica a 12% no fim de 2026.

Ainda assim, o economista-chefe do BTG destaca que é uma das maiores taxas reais do mundo, o que limita investimentos e crescimento mais robusto do PIB.

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“É o segundo ano consecutivo de Selic elevada, o que continua atrativo para renda fixa”, comenta Mansueto.

Câmbio volátil em ano eleitoral

O dólar, que oscilou entre R$ 5,35 e R$ 5,60 no início do ano, deve apresentar alta volatilidade, típica de períodos eleitorais, segundo ele. “Achamos que o dólar continua depreciando, mas com muita volatilidade”, disse.

A projeção do BTG é de um fechamento em torno de R$ 5,20 em 2026, com possibilidade de queda abaixo de R$ 5 caso o plano fiscal pós-eleições seja claro e crível para o mercado.

Fiscal: o maior risco para 2027

O ponto central da análise de Mansueto foi o desequilíbrio fiscal das contas públicas. O déficit primário deve ficar em 0,4% a 0,5% do PIB — melhora expressiva ante os 2,4% de 2023 —, mas impulsionada mais por arrecadação do que por controle de gastos.

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A dívida pública deve subir cerca de 12 pontos percentuais do PIB (para cerca de 83,6%), mesmo com crescimento médio anual de 2,5%.

Os gastos federais cresceram cerca de 20% em termos reais nos últimos quatro anos — o dobro do ritmo observado entre 2014 e 2022. Programas como Bolsa Família (custo anual de R$ 160 bilhões) e Previdência Social (70% atrelada ao salário mínimo) pressionam as contas.

“O fiscal é o calcanhar de Aquiles”, alertou. Sem um novo arcabouço com maior credibilidade — incluindo limitação drástica do crescimento das despesas (como no teto da era Temer) e ajustes em regimes tributários —, 2027 pode ser binário: juros equilibrados e recuperação, ou retorno a taxas de dois dígitos e ativos pressionados.

“Candidatos precisam discutir corte de gastos e um novo arcabouço fiscal”, defende.

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Para os investidores, o economista sugere cautela, mas com potencial de surpresas positivas caso o debate político avance na direção de maior disciplina fiscal.

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