CSN Mineração (CMIN3) cai 3% após balanço; EBITDA supera estimativas, mas mercado vê riscos à frente
As ações da CSN Mineração (CMIN3) chegam a cair cerca de 3% nesta quarta-feira (13), mesmo após a companhia reportar um EBITDA acima das estimativas do mercado no segundo trimestre de 2026 (2T26).
A leitura dos analistas é que a surpresa positiva não foi suficiente para dissipar preocupações com a queda dos preços realizados do minério de ferro, a valorização do real e a pressão dos custos e fretes.
A companhia registrou EBITDA ajustado de R$ 1,018 bilhão no 2T26, uma queda de 28,3% em relação ao trimestre anterior e de 19,7% na comparação anual.
Apesar do recuo, o número superou as projeções das principais instituições financeiras. O resultado ficou 5,4% acima da estimativa do Bank of America, enquanto o Itaú BBA projetava R$ 900 milhões e a XP, R$ 941 milhões. Segundo os analistas, a surpresa veio principalmente do desempenho dos custos.
Os volumes de vendas também chamaram atenção positivamente. Na avaliação da XP, a produção de minério de ferro ficou acima das expectativas mesmo com uma parada de manutenção de 15 dias na mina e no porto, reforçando a resiliência operacional da companhia no período.
Resultado positivo não convence analistas
Apesar dos números acima do consenso, as casas de análise seguem cautelosas com o papel.
A XP manteve recomendação neutra para CMIN3. Os analistas destacam que os volumes foram sólidos, mas avaliam que o cenário para o minério de ferro continua desafiador, enquanto os custos de frete permanecem elevados. Para a corretora, esses fatores devem continuar pressionando os resultados no terceiro trimestre.
O preço-alvo da XP é de R$ 6,00, o que representa um potencial de valorização de cerca de 7% em relação às cotações atuais.
O Itaú BBA também reiterou recomendação neutra. Segundo o banco, o balanço foi ligeiramente positivo graças ao melhor desempenho de custos, mas a combinação entre preços realizados mais baixos, valorização do real e maiores despesas com frete limitou a melhora operacional. O preço-alvo do BBA é de R$ 5,50.
Já o Bank of America adotou a visão mais pessimista, mantendo recomendação de venda para a ação. Embora reconheça que o EBITDA veio acima do esperado, o banco avalia que a combinação de preços mais fracos para o minério e custos ainda pressionados continua reduzindo a atratividade do papel, mesmo diante da recuperação dos volumes.
*Com supervisão de Juliana Américo