Cury (CURY3): Ações disparam até 5% após balanço do 4T25; analistas destacam margens e ROE ‘impressionante’
As ações da construtora Cury (CURY3) reagem positivamente ao balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), divulgado na noite de terça-feira (10). Entre analistas, a leitura é de que os números vieram fortes e, em algumas frentes, até acima do esperado.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis da companhia subiam quase 5% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 37,70. Acompanhe a cotação em tempo real.
O que diz o BTG
Em relatório, o BTG Pactual afirmou que a empresa reportou um quarto trimestre sólido em todos os aspectos, com crescimento anual dos principais indicadores e forte geração de caixa.
Entre outubro e dezembro passados, a receita líquida da Cury somou R$ 1,42 bilhão, avanço de 37% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e em linha com as estimativas do banco.
A margem bruta ajustada, por sua vez, chegou a 40,6%, alta de 135 pontos-base na comparação anual e 60 pontos-base acima das projeções da casa.
Já o lucro líquido totalizou R$ 270 milhões, crescimento de 63% frente ao 4T24 e 6% superior à expectativa do BTG, beneficiado por despesas gerais e administrativas (SG&A) menores que o esperado.
O resultado implicou um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) anualizado de quase 80%, classificado pelos analistas do banco como “impressionante”.
Caixa robusto e lucro por ação acima das projeções
No 4T25, a Cury registrou geração de caixa de R$ 321 milhões, considerada “robusta” no relatório e equivalente a um yield anualizado de 12%.
Segundo o BTG, o desempenho reflete o modelo de negócios asset light da companhia e as fortes transferências de recebíveis para bancos no período.
A casa também apontou que, mesmo após distribuir R$ 1,02 bilhão em dividendos no quarto trimestre, a empresa encerrou 2025 com posição de caixa líquido de R$ 316 milhões.
Além disso, o lucro por ação (LPA) do período ficou 6% acima das projeções, também devido às menores despesas.
“Embora as expectativas para a construtora pareçam bem ancoradas, continuamos otimistas com a tese de investimento, pois acreditamos que a Cury seguirá reportando resultados sólidos, com crescimento relevante do LPA, margens e ROE saudáveis, além de proventos elevados graças à baixa alavancagem”, escreveram os analistas.
O BTG possui recomendação de compra para CURY3, com preço-alvo de R$ 44, o que implica potencial de valorização de cerca de 18% frente à cotação atual.
BBI vê execução consistente
Na mesma linha, o Bradesco BBI afirmou que a companhia apresentou “uma execução de primeira linha mais uma vez”, com o lucro líquido superando em 4% as estimativas, que já eram otimistas, devido à diluição de gastos gerais e administrativos melhor que o esperado.
Para 2026, o banco avalia que o bom desempenho da empresa continuará, com fortes primeiros meses do ano, e não descarta revisões positivas para os lucros de 2027.
“Consideramos a Cury uma de nossas preferências no setor de construção, juntamente com a Tenda, impulsionada por uma avaliação atrativa após a recente turbulência macroeconômica relacionada à guerra”, disse a casa em relatório.
Segundo o BBI, a ação da companhia é negociada a 8,6 vezes o lucro estimado para 2026 e 7,1 vezes para 2027 — contra cerca de 10 vezes e 9 vezes, respectivamente, antes da recente aversão ao risco em meio ao conflito no Oriente Médio.
O banco também destaca o dividend yield entre 8% e 10% e a forte liquidez diária, próxima de R$ 112 milhões.
Safra aponta margem recorde
O Safra também avaliou que os números do quarto trimestre da Cury vieram sólidos, com o lucro ficando 8% acima das projeções internas.
Na visão da instituição, o forte desempenho das vendas contribuiu para uma expansão de 37% da receita bruta em relação ao ano anterior, o que, combinado com uma margem ajustada recorde de 40,6%, impulsionou um crescimento de 63% do resultado líquido frente a 2024.
De acordo com a casa, o desempenho também refletiu despesas administrativas menores que o previsto, o que resultou em ganho de 1,9 ponto percentual na alavancagem operacional.
“Os resultados superaram as estimativas. Os investidores devem reagir positivamente ao avanço sequencial da margem e aos ganhos de alavancagem acima do esperado”, disse o banco, que também manteve recomendação de compra para o papel CURY3, com preço-alvo de R$ 50, o que representa potencial de valorização de cerca de 40%.
Apesar da alta de aproximadamente 74% das ações nos últimos 12 meses, o Safra avalia que a companhia ainda negocia a um múltiplo atrativo de 6,9 vezes o lucro estimado para 2027, com dividend yield projetado combinado de cerca de 17% até o fim daquele ano.