Cury (CURY3) vê 2025 como ‘o melhor ano da sua história’ e mantém otimismo para 2026
A Cury (CURY3) avalia que 2025 deve ser o melhor ano de sua história, sustentado por forte geração de caixa operacional, margens saudáveis e um ambiente competitivo ainda favorável, de acordo com analistas da XP Investimentos, que realizaram uma reunião com executivos da companhia na última sexta-feira (9).
Em relatório, a corretora afirma que a incorporadora encerrou os primeiros nove meses de 2025 com avanço de 38% na receita líquida e crescimento de 46% no lucro líquido na comparação anual.
A expectativa, portanto, é que o quarto trimestre (4T25), cujo resultado deve ser divulgado nas próximas semanas, contribua para consolidar um ano bastante sólido.
A XP tem a Cury como sua principal escolha (top pick) no setor de construção civil, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 37 para as ações, o que representa potencial de valorização de 14% em relação à cotação atual, de R$ 32,21.
2026 começou ainda melhor
Para 2026, o cenário traçado pela casa para a incorporadora segue ainda mais positivo. A empresa já iniciou o ano com projetos no Rio de Janeiro e realizou, no último fim de semana, o primeiro lançamento em São Paulo, com boa expectativa de demanda por parte de corretores e clientes.
A XP destaca que as margens brutas devem permanecer em níveis confortáveis ao longo dos próximos meses, apoiadas pela inflação controlada de materiais e pelo banco de terrenos bem posicionado, que permite melhor precificação de novos empreendimentos.
Além disso, de acordo com a corretora, “a concorrência em geral ainda é frágil, prejudicada pelo alto custo de capital e pela força de vendas mais fraca”.
Apoio ao ritmo atual
Outro ponto relevante para 2026 são as mudanças recentes no ambiente macro que tendem a favorecer o setor. O novo regime do imposto de renda, que isenta salários mensais de até R$ 5 mil, deve ampliar o mercado potencial de compradores, especialmente no segmento de baixa renda.
A avaliação é que a medida pode aumentar a formalização da renda e facilitar o acesso ao financiamento imobiliário.
“Além disso, o setor espera melhorias nas condições das faixas 3 e 4 do programa Minha Casa, Minha Vida (aumento nos limites de preço e renda), que poderão ser discutidas nas primeiras reuniões do Conselho do FGTS”, apontou o relatório.
Follow-on e estratégia
A XP também comentou sobre o recente follow-on (quando se emite mais ações) da Cury, realizado em dezembro passado e que movimentou mais de R$ 500 milhões.
Segundo a corretora, os executivos da companhia afirmaram que a operação teve como objetivo ampliar a distribuição de dividendos antes da nova tributação, em vigor desde o início de janeiro, sem comprometer os covenants da dívida.
“Alternativas para levantar recursos foram consideradas pela empresa, como a emissão de dívida ou a venda de recebíveis, mas a construtora recusou a primeira opção para não violar os covenants e a última devido ao alto custo e ao objetivo de manter a estrutura mais simples possível.”
Do ponto de vista estratégico, o relatório destaca que a companhia pretende manter o foco nas operações em São Paulo e no Rio de Janeiro, com baixo consumo de capital de giro e disciplina na gestão do caixa.
A Cury também informou que vem reforçando a equipe de engenharia e ampliando seus métodos construtivos, incorporando moldes de alumínio e componentes pré-moldados, que devem ganhar espaço gradualmente ajudando a mitigar pressões de custos com mão de obra.