Cyrela (CYRE3): Ações caem 5% na bolsa após balanço do 4T25; o que dizem os analistas?
As ações da Cyrela (CYRE3) operam em queda nesta sexta-feira (20) em reação à divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) na noite anterior. Apesar do movimento negativo do mercado, analistas, em geral, avaliam que os números vieram sólidos.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis da construtora recuavam aproximadamente 5% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 25,72. Acompanhe a cotação em tempo real.
O 4T25 da Cyrela, segundo o BTG
Entre outubro e dezembro passados, a companhia registrou lucro líquido de R$ 682 milhões, o que representou uma alta de 37% contra o mesmo período de 2024.
A receita líquida, por sua vez, somou R$ 3,23 bilhões, avanço de 29% na mesma base de comparação e em linha com as estimativas do BTG Pactual. Segundo o banco, o desempenho mais forte foi impulsionado por uma mudança na forma de reconhecimento contábil.
Antes, a Cyrela só contabilizava receitas após seis meses do lançamento ou quando o projeto atingia 50% das vendas. Agora, passou a reconhecer os valores assim que decide seguir com o empreendimento.
“Consequentemente, houve um grande reconhecimento de receitas de alguns projetos no 4T25, como o Epic e o Vista Milano, que contribuíram com R$ 328 milhões e R$ 131 milhões, respectivamente”, escreveram os analistas do BTG, em relatório.
Cyrela: mais detalhes do balanço
A construtora também reportou fluxo de caixa livre de R$ 74 milhões no quarto trimestre do ano passado, ligeiramente acima da projeção de R$ 50 milhões do banco.
De acordo com o relatório, essa geração foi beneficiada pela entrada de cerca de R$ 240 milhões em dividendos de joint ventures, principalmente com Cury e Lavvi, que anteciparam pagamentos para evitar a tributação sobre rendimentos que entrou em vigor no início deste ano.
“O 4T25 foi sólido. O lucro por ação veio em linha com o esperado, com forte crescimento de receita e ROE (retorno sobre o patrimônio) de 27%. A geração de caixa livre também superou levemente nossas estimativas, impulsionada pelas parcerias”, explicou o BTG.
A casa também lembrou que a Cyrela anunciou R$ 1,4 bilhão em dividendos no período, o que elevou sua dívida líquida para cerca de R$ 1,97 bilhão.
Com isso, a relação dívida líquida sobre patrimônio ficou em 17%, acima da média histórica, mas ainda em nível considerado “confortável” devido as estimativas positivas para 2026.
Mesmo diante de um ambiente ainda desafiador para o segmento de média e alta renda, o BTG mantém recomendação de compra para a ação CYRE3, apontada como a principal escolha (top pick) no setor.
O que diz a Empiricus
A Empiricus Research também avalia que a Cyrela segue se destacando pela qualidade de execução e capacidade de preservar rentabilidade ao longo do ciclo, mas classifica o balanço como “misto”, com influência de fatores não recorrentes.
Do lado operacional, os lançamentos da companhia somaram R$ 3,3 bilhões, queda de 32% em relação ao 4T24 devido a uma base de comparação mais forte, segundo a casa.
“No acumulado de 2025, porém, os lançamentos cresceram 35%, evidenciando um volume robusto ao longo do ano”, afirmou a Empiricus, em relatório.
As vendas líquidas contratadas da construtora atingiram R$ 3,3 bilhões entre outubro e dezembro, recuo de 32% na comparação anual, influenciadas pela desaceleração no volume de lançamentos e pelo ambiente macroeconômico.
“Apesar do ritmo menor, a VSO (vendas sobre oferta) permaneceu em patamar satisfatório, em torno de 38%”, apontou a casa.
A margem bruta ajustada ficou em 33,7% no 4T25, praticamente estável na comparação anual, mas com retração de 1,6 ponto percentual na base trimestral.
Segundo o relatório, o recuo foi puxado pela concentração de vendas de unidades específicas, como studios, que possuem preço por metro quadrado menor.
“O setor de média e alta renda convive com alguns desafios de curto prazo, como o patamar restritivo de financiamento imobiliário e o aumento do nível de estoque em São Paulo. Ainda assim, a companhia consegue manter solidez em seus números, com maior participação no segmento econômico.”
Para a casa, o papel CURY3 segue descontado, com múltiplos de cerca de 5 vezes lucro e 0,95 vez valor patrimonial projetados para 2026, sendo uma forma de capturar valor em um eventual ciclo de queda de juros.
O que diz o BBI
O Bradesco BBI, por sua vez, destacou a receita líquida da Cyrela ficou 3% acima de suas estimativas, totalizando R$ 9,4 bilhões no consolidado de 2025, alta de 18% no ano.
Assim como a Empiricus, o banco apontou que o mix de vendas — com maior participação de unidades de menor valor — pressionou a margem bruta entre outubro e dezembro. Excluindo esse efeito, a margem reportada teria sido próxima de 34%.
“Apesar do lucro ter superado o consenso, não esperamos revisões relevantes para 2026”, disse o BBI, afirmando que o foco agora está na visibilidade do primeiro trimestre deste ano, em meio a um cenário macroeconômico ainda desafiador para o segmento no qual a Cyrela atua.
“O principal tema de discussão atualmente está relacionado à paralisação na emissão de alvarás de construção em São Paulo, que provavelmente continuará sendo um obstáculo para a companhia, assim como para outras que atuam na cidade, junto com um fluxo marginalmente negativo de notícias vindo do setor de média e alta renda.”