Comprar ou vender?

Luz no fim do túnel? Safra inicia cobertura Light (LIGT3) após fim da recuperação judicial; será que é hora de comprar?

18 set 2026, 11:35
light-ligt3
(Imagem: Facebook/Light)

O Safra iniciou a cobertura das ações da Light (LIGT3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 4,20 para o fim de 2026, valor que representa um potencial de valorização de aproximadamente 16% frente aos R$ 3,62 considerados no relatório.

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O movimento do bancão vem após a companhia elétrica anunciar, na última semana, o encerramento do seu processo de recuperação judicial iniciado em junho de 2024. Nesta sexta-feira (18) ainda, a agência classificadora de riscos S&P Global elevou as classificações de risco de crédito de sua subsidiária Light Sesa.

Apesar do upside, o banco ainda não vê motivos suficientes para recomendar a compra dos papéis. Na avaliação dos analistas Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, a companhia atravessa uma recuperação após a reestruturação de sua dívida e a renovação da concessão, mas ainda carrega riscos relevantes, principalmente relacionados às perdas de energia e à regulação.

O Safra calcula uma taxa interna de retorno (TIR) implícita de 12,7% para a ação. Embora considere o valuation descontado, o banco afirma enxergar outras alternativas no setor elétrico com riscos menores e retornos semelhantes.

“Embora o valuation atual pareça descontado, vemos outras opções no setor de utilities com menos risco embutido e negociando em níveis semelhantes de TIR”, afirmam os analistas, em tradução livre.

A grande aposta para a Light está em 2027

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Para o Safra, um dos principais gatilhos para as ações da Light será a revisão tarifária de 2027.

O evento será importante porque poderá reconhecer na tarifa tanto os investimentos realizados pela companhia quanto uma parcela maior das perdas de energia enfrentadas pela distribuidora.

Atualmente, as perdas não técnicas da Light chegam a cerca de 73% da energia faturada no mercado de baixa tensão, enquanto o nível reconhecido pela regulação está próximo de 42%.

No cenário-base, o Safra trabalha com a hipótese de que a cobertura regulatória dessas perdas suba para 60% em 2027 e que a Light consiga alcançar esse patamar operacionalmente até 2030. O banco estima ainda uma base de ativos regulatória (RAB) de R$ 11,6 bilhões na próxima revisão tarifária.

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A dimensão dessa discussão aparece em outro cálculo do Safra: caso o regulador reconhecesse integralmente nas tarifas a diferença atual entre as perdas efetivas e o patamar regulatório, o impacto positivo poderia chegar a aproximadamente R$ 1 bilhão no Ebitda.

Reestruturação dá novo fôlego

A melhora financeira é outro pilar da tese. Depois de anos de pressão sobre o caixa, a alavancagem da Light chegou a aproximadamente 3,8 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda em 2023, período em que a companhia entrou em recuperação judicial.

Posteriormente, a empresa concluiu um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão e converteu parte das dívidas em ações, reduzindo a alavancagem para 2,8 vezes, segundo o Safra.

A companhia também renegociou cerca de R$ 11 bilhões em dívidas e aumentou os investimentos em 65% entre 2024 e 2025, em uma estratégia para melhorar a qualidade da rede e enfrentar o histórico problema das perdas de energia.

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Para os próximos cinco anos, a Light divulgou um plano de aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos no segmento de distribuição, concentrado na modernização das redes, integração tecnológica e redução das perdas.

Hidrelétricas podem trazer uma surpresa

Outro ponto no radar são as concessões das hidrelétricas da Light Energia, que somam 873 MW de capacidade instalada e vencem em 2028.

Como ainda há incerteza sobre as condições para uma eventual renovação, o cenário-base do Safra considera que as concessões não serão renovadas e que a Light receberá aproximadamente R$ 1,1 bilhão em indenizações pelos ativos ainda não depreciados.

A renovação, porém, funcionaria como um gatilho adicional. Nas contas do banco, ela poderia gerar cerca de R$ 1,2 bilhão em valor adicional, elevando em 16,7% o preço-alvo, de R$ 4,20 para R$ 4,90 por ação.

Por que, então, não comprar LIGT3?

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O desconto existe. A Light negocia a aproximadamente 0,8 vez EV/RAB projetado para 2027, enquanto a média apontada pelo Safra para o setor é de cerca de 1,5 vez. Ainda assim, o banco entende que parte dessa diferença é justificável.

Isso porque a companhia continua exposta a uma área de concessão operacionalmente complexa e ainda não há definição sobre quanto das perdas será efetivamente reconhecido pela Aneel na próxima revisão tarifária.

Entre os principais riscos citados pelo Safra estão decisões regulatórias desfavoráveis, dificuldade para cumprir metas regulatórias, eficiência operacional abaixo do esperado, volumes menores, mudanças nas indenizações dos ativos de geração e decisões ruins de alocação de capital.

Assim, mesmo diante do potencial de valorização de 16%, o banco prefere esperar por mais clareza regulatória antes de adotar uma visão mais positiva sobre LIGT3.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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