Depois da alta das bolsas, chega a hora da verdade: HSBC aponta as melhores ações para a temporada do 2T26
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) na América Latina deve começar sem grandes catalisadores para as bolsas, na avaliação do HSBC. O banco afirma que as revisões de lucros perderam força ao longo do ano, com os cortes nas estimativas superando as revisões positivas na maior parte dos setores, o que deve resultar em uma temporada de balanços “mista”.
Ainda assim, a instituição destaca cinco ações preferidas para atravessar o período de divulgação dos resultados, sendo três brasileiras: Copel (CPLE6), Raia Drogasil (RADL3) e Telefônica Brasil (VIVT3).
Segundo o HSBC, o rali das bolsas latino-americanas em 2026 foi impulsionado muito mais pelo ambiente macroeconômico do que pela melhora nas perspectivas de lucro das empresas. No Brasil, apesar da retomada parcial do fluxo estrangeiro em julho e da expectativa de um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião do Banco Central, o banco avalia que o crescimento mais fraco do crédito e a deterioração da qualidade dos ativos continuam pressionando os setores mais ligados à economia doméstica.
Nesse cenário, o HSBC acredita que a temporada de balanços tende a reforçar a seletividade entre os papéis. Além das brasileiras, o banco também recomenda a mexicana Arca Continental e a instituição financeira Gentera.
Entenda a escolha das preferidas
Entre as ações brasileiras, a principal aposta é a Copel. O banco vê a elétrica como uma das maiores beneficiárias da alta dos preços da energia no país e da perspectiva de redução dos custos financeiros.
Para o segundo trimestre, a expectativa é de Ebitda de R$ 1,63 bilhão, alta de 3% na comparação anual, impulsionado pelos preços mais elevados da energia na região Sul, além da disciplina na alocação de capital e da venda de ativos. O HSBC também destaca como vetores positivos a revisão tarifária realizada em junho e os novos contratos de receita baseados em capacidade.
Para a Raia Drogasil, a instituição mantém uma visão positiva por considerar a companhia uma das histórias de crescimento mais consistentes do varejo brasileiro. O banco gringo destaca o caráter defensivo do setor farmacêutico, impulsionado pelo envelhecimento da população, maior gasto com saúde e demanda resiliente por medicamentos.
A expectativa é de crescimento de 18,5% da receita no segundo trimestre, ainda que em ritmo mais moderado do que no início do ano, refletindo uma base de comparação mais forte e reajustes menores de preços dos medicamentos em 2026.
Já para a Telefônica Brasil, o HSBC avalia que o mercado exagerou os temores em relação ao aumento da concorrência no segmento móvel. A instituição acredita que reajustes de preços, expansão da fibra óptica e dos serviços para empresas (B2B), além da redução de custos decorrente da mudança do regime de concessão para autorização, devem sustentar o crescimento dos resultados.
Para o segundo trimestre, a expectativa é de alta de 6,7% na receita, crescimento de cerca de 13% do Ebitda e avanço de aproximadamente 39% no lucro líquido, também favorecido pela venda de ativos de cobre.
Na visão do HSBC, embora Brasil e México continuem registrando ganhos expressivos nas bolsas em 2026, a sustentação desse movimento dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de entregar resultados acima das expectativas, em um ambiente em que as revisões de lucro seguem perdendo tração.