Dólar sobe a R$ 5,13 após emprego nos EUA reforçar aposta de alta dos juros pelo Fed
O dólar à vista encerrou o último pregão da semana em alta, interrompendo a sequência de quatro baixas seguidas, após surpresa com os dados de emprego nos Estados Unidos.
Nesta sexta-feira (4), a divisa encerrou o dia a R$ 5,1308, com alta de 0,52%, no mercado à vista.
O movimento local acompanhou o movimento do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,23% aos 99,140 pontos.
Na semana, o dólar à vista acumulou queda de 1,26% ante o real.
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O que mexeu com o dólar hoje?
Os dados de empregos nos Estados Unidos deram fôlego ao dólar, ao reforçar as apostas de uma alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) na próximo decisão de política monetária.
O relatório oficial de empregos não-agrícolas, o Payroll, apontou a criação de 162 mil vagas de emprego em agosto, bem acima da expectativa do mercado, de 55 mil no mês. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1% em agosto.
O relatório mostrou ainda que a criação de empregos em meses anteriores foi revisada para cima. O resultado de junho cresceu em 11 mil, de 20 mil para 31 mil, enquanto o de julho foi revisado de fechamento de 23 mil para abertura de 21 mil vagas.
“Esse forte aquecimento do mercado de trabalho norte-americano reacendeu o temor de que o Fed precisará manter as taxas de juros em patamares restritivos por um período prolongado, dando suporte ao dólar”, explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Após o dado, o mercado elevou as apostas de alta nos juros pelo Fed. A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta 58,2% de chance de o Fed elevar a taxa referencial em 25 pontos-base na decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do próximo dia 16.
A probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% é de 41,8%. Ontem (3), a chance era de 50,6%.
Na avaliação da Capital Economics, mesmo os defensores mais favoráveis a uma política monetária dovish teriam dificuldade em encontrar no payroll argumentos que justifiquem a manutenção dos juros pelo Fed neste mês.
Segundo a consultoria, a possibilidade de um aumento dos juros em setembro ainda depende principalmente dos dados de inflação que serão divulgados na próxima semana, entre eles o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês).
No cenário doméstico, as eleições de outubro continuam no radar. As últimas pesquisas de intenção de votos têm apontado uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro – o que reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027.