Justiça

Dino autoriza relatórios do Coaf em investigação policial sobre produtora de ‘Dark Horse’

14 set 2026, 5:53 - atualizado em 14 set 2026, 6:17
Flávio Dino tirou sigilo das investigações da cinebiografia de Jair Bolsonaro (Rosinei Coutinho/STF)

Ao retirar o sigilo da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o filme “Dark Horse”, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também autorizou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produza relatórios financeiros sobre a produtora do longa-metragem, Karina da Gama, e sobre a ONG da qual ela é presidente, o Instituto Conhecer Brasil (ICB).

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Os policiais vinham solicitando a quebra de sigilo desde maio, mas os pedidos não foram autorizados pela Justiça paulista.

A Polícia Civil de São Paulo pediu informações financeiras sobre Karina e o ICB contemplando a pesquisa desde junho de 2024, quando a entidade assinou um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de WiFi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista. Segundo as investigações, há suspeitas de que recursos públicos tenham sido desviados para a produção do longa-metragem inspirado na vida de Jair Bolsonaro.

A Justiça de São Paulo não autorizou a quebra de sigilo sobre Karina e a ONG. Em decisão do final de agosto, o juiz Nelson Augusto Bernardes afirmou que, para autorizar a produção dos relatórios, eram necessárias mais informações sobre o objeto da investigação. A polícia prestou os esclarecimentos, mas a Justiça de São Paulo não voltou a analisar o pedido. Neste domingo (13), a produção dos relatórios foi autorizada por Dino.

O Coaf já produziu relatórios de inteligência sobre Karina da Gama no bojo de uma investigação da Polícia Federal sobre o desvio de recursos públicos para a produção de “Dark Horse”. Com a decisão de Dino, os dados poderão ser compartilhados com o inquérito da polícia paulista.

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Em nota, a defesa de Karina da Gama afirmou que recebe a decisão de Dino sobre a quebra do sigilo “com absoluto respeito”. “A transparência interessa à Justiça, à sociedade e, sobretudo, à própria defesa”, disse o advogado Ricardo Sayeg, que representa a produtora. A defesa sustenta que Karina não cometeu nenhum ilícito.

Produtora não funcionava no endereço informado

A Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, não funcionava no endereço informado às autoridades, uma sala comercial na avenida Paulista, em São Paulo.

Em junho, durante a Operação Wi-Fi, a Polícia Civil de São Paulo tinha como alvo para diligências um endereço que estavam registradas duas empresas de Karina da Gama, produtora do filme, além do Instituto Conhecer Brasil. No local, os policiais foram informados de que tanto a Go Up quanto a empresa GO7 Assessoria não estavam cadastradas ali. Já o Instituto Conhecer Brasil estava com o cadastro cancelado e não operava mais no espaço.

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Na ocasião, o endereço residencial de Karina da Gama também foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Segundo o relatório da Polícia Civil, a produtora não resistiu à operação, mas recusou-se a fornecer a senha do celular apreendido.

O Instituto Conhecer Brasil está na mira da Polícia Federal por suspeitas de desvio de recursos públicos para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, há indícios de que a entidade desviou recursos oriundos de uma emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que assina o roteiro do longa.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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