Dólar sobe a R$ 5,22 com aversão a risco global e eleições em foco
O dólar à vista começou o mês de outubro em forte alta com a proximidade das eleições presidenciais e uma nova onda de recorde nos títulos soberanos dos EUA.
Nesta quinta-feira (31), a divisa encerrou o dia a R$ 5,2204, com alta de 0,88%, no mercado à vista.
O movimento local acompanhou o desempenho do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,59%, aos 102.036 pontos.
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O que mexeu com o dólar hoje?
O movimento do câmbio foi orientado pelo cenário externo, com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, nas máximas em mais de duas décadas, e o barril do petróleo Brent acima de US$ 102.
Novas falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) também renovaram as expectativas de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo.
Entre eles, o presidente da unidade do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que espera que sejam necessários novos aumentos nas taxas de juros para conter a economia no horizonte de 2027, embora ele não tenha certeza se a próxima alta deva ocorrer ainda este mês. Hoje, o mercado precifica pelo menos três altas nos juros até o fim do próximo ano.
O mercado ainda operou à espera do relatório oficial de empregos não-agrícolas, o payroll, de setembro, que será divulgado amanhã.
Por aqui, o cenário eleitoral concentrou, mais uma vez, as eleições na expectativa pelo debate da TV Globo às 21h20 (horário de Brasília), sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente concede entrevista ao Flow Podcast a partir de 20h50.
Mais cedo, a pesquisa do instituto Real Time Big Data, a última antes do primeiro turno, aponta Lula com 43% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 39% das intenções de voto. Os dois cresceram dois pontos porcentuais ante o levantamento de uma semana atrás, quando Lula tinha 41% e Flávio Bolsonaro, 37%.
“Os investidores operaram divididos entre o ambiente global adverso e o cenário político doméstico, monitorando as expectativas para uma nova pesquisa Datafolha e o debate televisivo da corrida presidencial”, afirma Emerson Vieira, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos.