‘Tempestade’ nos títulos globais: Treasuries vão a máximas de 24 anos com petróleo acima de US$ 100
As preocupações com as contas públicas das maiores economias do mundo e a continuidade do preço do barril do petróleo Brent acima de US$ 100 levaram a uma nova onda de venda de títulos soberanos nesta quinta-feira (1).
Mais cedo, os rendimentos do título do Tesouro dos Estados Unidos, que são considerados os mais seguros do mundo, atingiram níveis não vistos em 24 anos.
O rendimento do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito —chegou a 5,344%, no maior patamar desde abril de 2002, após registrar o maior aumento trimestral neste século nos três meses até setembro.
Já o rendimento do título de 30 anos — referência para hipotecas de longo prazo — atingiu 5,593%, também no nível mais alto desde meados de 2002.
O movimento também foi visto em títulos soberanos de outras economias: o título francês de 10 anos registrou seu pior desempenho trimestral desde 1987, e o rendimento subia mais 10 pontos-base nesta quinta-feira, para 4,96%, aproximando-se do nível simbólico de 5%.
O rendimento dos títulos públicos britânicos de 30 anos subiu para mais de 6%, atingindo seu maior nível desde 1998.
No Japão, o rendimento do título de 10 anos registrou 3,126%, nível mais alto em três décadas. A dívida japonesa, que tem grande influência global, vem sofrendo pressão devido à desvalorização do iene e aos aumentos das taxas de juros pelo Banco do Japão .
Por que os títulos globais estão sendo vendidos?
O temor de pressão inflacionária na economia global, decorrente da alta nos preços de energia, também é combinado com a expectativa de novas altas nos juros norte-americanos.
Nesta quinta-feira, os preços do petróleo voltaram ao nível de US$ 101 por barril após a China suspender exportações de derivados da commodity, enquanto permanece o impasse entre Estados Unidos e Irã para pôr fim aos conflitos no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz.
O mercado também já precifica pelo menos mais três altas dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) até meados de 2027.
Além disso, a magnitude da expansão fiscal em curso e a natureza aparentemente insensível às taxas de juros dos gastos com investimentos relacionados à Inteligência Artificial (IA) nos Estados Unidos criam um cenário mais desafiador para os títulos do Tesouro, segundo Helen Anthony, gerente de portfólio da Janus Henderson.
“A onda de títulos globais continua sendo impulsionadas em grande parte pelos movimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, que mantêm pressão de alta sobre as taxas de rendimento globais e limitam a capacidade do mercado de sustentar qualquer recuperação”, destaca Helen Anthony. E
Em linhas gerais, taxas mais altas aumentam os custos de financiamento para empresas e mutuários de hipotecas e forçam os governos a gastar mais com pagamentos de juros. Sendo assim, os títulos dos países mais endividados estão sendo vendidos com mais intensidade.