Dólar fecha a R$ 5,01 e acumula queda de 3% na semana
O dólar à vista encerrou a semana em forte queda com alívio nas tensões geopolíticas e expectativa de negociações para um acordo de paz definitivo no Oriente Médio.
Nesta sexta-feira (10), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0115, com queda de 1,03%.
Durante a sessão, a moeda bateu mínima a R$ 5,0055 (-1,14%), no menor nível desde meados de 2024.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,15%, aos 98,674 pontos.
Na semana, o dólar à vista recuou 2,88% ante o real.
O que mexeu com o dólar hoje?
A expectativa para as tratativas de um acordo de paz definitivo concentraram as atenções dos investidores e pressionaram o câmbio.
No final da tarde, o Irã afirmou que as negociações começarão se “as pré-condições forem aceitas”.
Os representantes dos EUA e do Irã devem se encontrar amanhã (11) em Islamabad, capital do Paquistão. Já as conversas entre Israel e o Líbano devem ter início na próxima semana, nos EUA.
Os investidores também reagiram a dados de inflação, ainda que em segundo plano. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos (EUA) subiu 0,9% no mês de março, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.
A inflação norte-americana no acumulado dos últimos 12 meses soma 3,3%. Com isso, os preços ainda estão acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
O CPI é um dos paramêtros do mercado para calibrar as apostas de corte de juros no país, ainda que o índice inflacionário não seja a referência para o Fed.
Após o dado, o mercado adiou a aposta de retomada de afrouxamento monetário pelo BC dos EUA. De acordo com o FedWatch, do CME Group, os traders veem o início do ciclo de cortes nos juros norte-americanos a partir de setembro, com a probabilidade de 57,6%.
Antes do CPI, o mês de junho era o mais provável para a redução nos juros. Hoje, a taxa opera no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano.
Inflação no Brasil
Além dos EUA, o Brasil também acompanhou novos dados de inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a acelerar. A inflação oficial do Brasil subiu 0,88% em março, acima do esperado pelo mercado.
No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,14% — permanecendo dentro do intervalo perseguido pelo Banco Central (BC), de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Na leitura dos especialistas, três vetores principais explicam a surpresa altista: combustíveis, alimentos e serviços.
Com o IPCA mais forte, a curva de juros zerou a probabilidade de corte de 0,50 ponto percentual na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no final de abril.
O mercado, por outro lado, ampliou as apostas de corte de 0,25 ponto percentual para 90%, de 75% ontem. A Selic está em 14,75% ao ano.