Dólar fecha estável a R$ 4,99 na expectativa de negociações de paz no Oriente Médio
O dólar à vista interrompeu a sequência de seis dias consecutivos de queda com expectativa de avanço das negociações de paz no Oriente Médio.
Nesta quinta-feira (16), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 4,9929, com leve alta de 0,01%.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,15%, aos 98,207 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a monitorar os desdobramentos nas negociações de paz no Oriente Médio.
No início da tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os líderes do Líbano e de Israel concordaram em um cessar-fogo por 10 dias. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a trégua começa nesta quinta-feira e pode ser prolongado por “acordo mútuo”.
O chefe da Casa Branca ainda anunciou que a próxima reunião, dando início a segunda rodada de negociações, entre Washington e Teerã acontecerá no fim de semana e acrescentou que o cessar-fogo de 15 dias “não precisa ser estendido”.
Segundo a Bloomberg, alguns líderes do Golfo Pérsico e da Europa acreditam o acordo de paz definitivo entre EUA e Irã pode levar até seis meses.
Prévia do PIB e inflação
No cenário doméstico, dados macroeconômicos e falas de autoridades também movimentaram o câmbio.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, registrou alta de 0,6% em fevereiro. A leitura ficou em linha com a expectativa do mercado. A mediana do mercado indicava uma alta de 0,60%, segundo as estimativas reunidas pelo Broadcast.
Na leitura de Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, os dados reforçam que a atividade “ganhou tração” no início de 2026.
Já Matheus Pizzani, economista do PicPay, adota um tom mais cauteloso. “Embora o resultado na margem traga uma ‘foto’ positiva do nível de atividade medido pelo IBC-Br, seu filme sob um prisma mais extenso não confirma este cenário”, avaliou Pizzani.
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, reafirmou que a expectativa de inflação para 2028 é “muito preocupante”.
No evento Itaú Latam Day, em Washington, Picchetti disse que o BC está tentando entender o fenômeno, acrescentando que “mais importante e mais preocupante” que os desvios no curto prazo é o desvio das expectativas de inflação em relação à meta em 2027 e 2028.
No Relatório Focus da última segunda-feira (13), os economistas consultados pelo BC elevaram a projeção do IPCA de 3,85% para 3,91% em 2027 e mantiveram a expectativa de inflação a 3,60% no ano seguinte. A meta do BC é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Após as declarações de Picchetti, as taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs) bateram as máximas intradia. O contrato de DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu a 14,065% ante 13,960% do ajuste anterior; enquanto o contrato de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, atingiu 13,590%, na máxima, ante 13,470% do ajuste anterior.