Dólar sobe a R$ 5,19 com Treasuries e tensão entre EUA e Irã
Depois de um breve alívio na véspera, o dólar à vista voltou a ganhar força com a escalada das tensões geopolíticas e o avanço nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de longo prazo.
Nesta quinta-feira (20), a divisa encerrou o dia com alta de 0,32%, a R$ 5,1933, no mercado à vista.
O movimento foi acompanhando do exterior. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, subia 0,06%, aos 98.880 pontos.
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O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a ser ditado pelo movimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, cujos rendimentos para os papéis de longo prazo voltaram a subir com o aumento do déficit fiscal e a escalada das tensões entre EUA e Irã no Oriente Médio.
Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, a dívida pública do país atingiu US$ 40,05 trilhões, ultrapassando pela primeira vez na história a marca dos US$ 40 trilhões. O valor é mais que o dobro do registrado há uma década.
Além disso, o secretário Scott Bessent afirmou que pode aumentar novamente o volume de títulos do Tesouro que o governo irá recomprar. “Vamos aumentar o volume da recompra”, disse em entrevista à CNBC. “Gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão”, acrescentou ele.
De acordo com o secretário, a medida tem o objetivo de apoiar a liquidez em um segmento do mercado com poucos negócios, especialmente em agosto, ao mesmo tempo em que precisa competir com muitas emissões corporativas com rendimentos mais altos, inclusive para infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Mas, na visão dos analistas, a ampliação do volume de recompras de títulos de longo prazo não resolve o problema: o déficit fiscal norte-americano.
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Por aqui, a moeda brasileira perdeu força, mesmo com a valorização do petróleo. “A combinação entre petróleo, rendimentos dos Treasuries elevados e maior reversão reduziu o espaço para a valorização dos ativos emergentes”, como o real, na avaliação de Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a preocupação com o cenário eleitoral também voltou a pressionar a moeda brasileira, em meio à agenda doméstica mais fraca e câmbio ditado pelo cenário externo.