Dólar acompanha exterior e cai a R$ 5,18 no dia, mas avança na semana
O dólar à vista perdeu força na reta final do pregão com sinais de avanço nas negociações para reabertura do Estreito de Ormuz, mas o enfraquecimento da moeda foi limitado pela expectativa de juros mais altos nos EUA e o barril do petróleo Brent acima de US$ 100.
Nesta sexta-feira (25), a divisa encerrou o dia a R$ 5,1817, com queda de 0,23%, no mercado à vista.
O movimento local acompanhou o desempenho do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com recuo de 0,30%, aos 101.987 pontos.
Na semana, o dólar à vista avançou 0,73% ante o real.
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O que mexeu com o dólar hoje?
O dólar perdeu força na reta final do pregão com sinais mais concretos de negociações entre Estados Unidos e Irã, com a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz em um prazo de sete dias.
Mais cedo, o estresse na curva de juros dos Estados Unidos continuou a ditar o ritmo da moeda norte-americana.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro, os Treasuries, mantiveram a trajetória de alta, nas máximas históricas, com precificação de novas altas altas nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Perto do fechamento, os agentes financeiros precificavam 64,2% de chance de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base na próxima decisão, em outubro. Para dezembro, a probabilidade de uma outra alta de pelo menos 25 pontos-base é de 91,3%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
“O fortalecimento da moeda norte-americana no Brasil, ao longo do dia, esteve alinhado ao desempenho do índice DXY no exterior, refletindo a busca por proteção diante das crescentes incertezas geopolíticas e econômicas, além do impacto natural da alta dos juros de longo prazo nos EUA, que historicamente atraem o capital global pela segurança da economia norte-americana”, avaliou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
IPCA-15 em segundo plano
A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), subiu 0,70% em setembro e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,47%, acima das expectativas.
O número acelerou tanto na comparação mensal quanto na anual, após deflação de 0,40% em agosto e de 4,24% no acumulado em 12 meses no mês anterior. Mesmo com o avanço, o número indica que a inflação está dentro do teto da meta do Banco Central — de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
“Boa parte do mercado já precificava um IPCA-15 acima do esperado. A curva [de juros futuros] já tinha precificado o pior”, avalia Lucas Xavier, head de mesa de renda variável e sócio da AW Capital.