Fed eleva juros nos EUA para 3,75% a 4% e vê taxa ainda mais alta no ano
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) subiu em 0,25 p.p, nesta quarta-feira (16), os juros de referência dos Estados Unidos (EUA), para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. Trata-se da primeira elevação de juros desde 2023. A decisão foi unânime.
Esta era a aposta majoritária para a reunião de setembro, com 88,7% dos agentes do mercado prevendo esta alta de 0,25 pp pela manhã, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.
O banco central afirmou que a economia norte-americana continua se expandindo em ritmo sólido, mesmo diante das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio.
A autoridade monetária destacou ainda a força dos investimentos, o avanço da produtividade e a resiliência do mercado de trabalho, com desemprego estável e criação de vagas acompanhando o crescimento da força de trabalho.
Sobre a inflação, o Comitê ressaltou que o indicador segue acima da meta de 2%, e reafirmou que continuará perseguindo a estabilidade de preços. No comunicado anterior, o Fed retirou uma referência que atribuía a inflação elevada atual a “choques de oferta”, particularmente no setor de energia.
Fed vê juros altos por mais tempo
O gráfico de pontos, chamado de dot plot, divulgado junto com a decisão de hoje, reforçou a mensagem mais dura da autoridade monetária. As projeções individuais dos membros do Fomc se deslocaram para cima em relação a junho, indicando que uma parcela maior do Comitê considera adequado manter os juros em patamares elevados por mais tempo, com mais uma alta no ano.
Dois membros projetam que as taxas de juros devem ficar no mesmo patamar da decisão de hoje até o fim de 2026. Já a maioria, 12 dirigentes, aposta em uma nova alta de 0,25 p.p., enquanto outros 2 enxergam a taxa no intervalo de 4,25% e 4,50%.
Próximos passos
Às 15h30 (horário de Brasília), o presidente do Fed, Kevin Warsh concede entrevista coletiva. O mercado deve buscar sinais mais claros sobre a condução da política monetária.