Dólar sobe mais de 1% e fecha a R$ 5,06 com risco geopolítico e nova ameaça de tarifas do Trump
O dólar à vista ganhou impulso com a escalada da aversão a risco global, após uma nova escalada nas tensões no Oriente Médio afastar a perspectiva de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã nos próximos dias, além de novas ameaças tarifárias do governo Trump.
Nesta quarta-feira (3), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0668, com alta de 1,14%. Durante o pregão, a moeda chegou a encostar em R$ 5,10, atingindo a máxima intradia a R$ 5,0902 (+1,61%).
O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,14%, aos 99,528 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O cenário geopolítico continuou a movimentar o mercado de câmbio após novas declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu reforçar o pessimismo de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã nos próximos dias.
Em entrevista à CNBC, Netanyahu afirmou que embora ele e Trump possam ter “divergências táticas” sobre como lidar com a guerra, eles “concordam em muitas coisas”. Segundo ele, Trump já afirmou que “haverá um retorno em grande escalada à ação militar se necessário” e que o Irã “sabe disso”.
“E o Irã certamente sabe o que [Trump] disse, que se necessário, haverá um retorno em grande escala à ação militar”, disse Netanyahu. “É uma decisão do presidente, Israel está pronto e as forças americanas estão prontas.”
Em reação, os preços do petróleo voltaram a subir. O contratos mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para agosto terminou o dia com avanço de 1,89%, a US$ 97,81 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Em linhas gerais, preços mais altos de petróleo tendem a beneficiar economias emergentes e exportadoras de commdities, como o Brasil. Porém, a expectativa de juros elevados por mais tempo no cenário doméstico e novo ‘tarifaço’ de Trump fortaleceram o dólar ante o real.
Por aqui, a curva de juros futuros zerou as apostas de cortes na Selic com a precificação de inflação mais elevada adiante. Parte do mercado já trabalha com a possibilidade de que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 17 de junho, marque o último corte nos juros em 2026.
Além disso, “o clima de cautela foi intensificado pela proposta de uma nova sobretaxa tarifária norte-americana sobre produtos brasileiros, estimulando a fuga de fluxo estrangeiro”, afirmou Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
Ontem (2), o governo Trump anunciou que pretende impor uma nova taxa de 12,5% a importações do Brasil e de outros 60 países, em uma nova rodada do tarifaço.
Caso seja aplicada, a nova cobrança, de 12,5%, se somaria aos 25% anunciados um dia antes propostos após a conclusão da investigação sobre “práticas incoerentes” do país com os Estados Unidos.
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