Dólar sobe após decisão do Copom e fecha próximo a R$ 5,50
O dólar encerrou a primeira sessão após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada ontem (4), em alta de 0,68%, a R$ 5,48 no mercado à vista.
A diretoria do BC manteve a Selic a 13,75% ao ano, o que levou a moeda norte-americana a abrir o dia em queda. Porém, o movimento perdeu força à medida que a aversão global ao risco se intensificou em Wall Street.
A queda frente ao real nesta quinta-feira (5) foi na contramão do desempenho do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em queda de 0,02%, aos 101,5500 pontos.
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O que movimentou o dólar hoje?
Enquanto os investidores reagiam à decisão do Copom de manter a Selic estável, interrompendo uma sequência de cinco cortes, o dólar amanheceu em queda.
Segundo a avaliação de Vitor Kayo, da Nomad, um diferencial de juros entre Brasil e EUA elevado por mais tempo tende a dar algum suporte ao real. “Ainda assim, o dólar seguirá mais sensível às sinalizações fiscais do novo governo do que à política monetária”, afirma.
Nesta quinta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com ministros e economistas para debater pauta econômica, embora não tenha realizado nenhum anúncio de medidas. É esperado que o petista divulgue um pacote de medidas fiscais neste domingo (8).
Ao longo do dia, o dólar inverteu o sinal. Além do cenário doméstico, a moeda reagiu a uma nova onda de aversão ao risco em Wall Street.
Temores relacionados às ações de empresas de inteligência artificial (IA) voltaram a pressionar as bolsas em Nova York, em especial o índice Nasdaq. Isso porque a ampla vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato abre espaço para uma regulação mais dura sobre data centers.
Para Lucas Xavier, head de renda variável e sócio da AW Capital, a mudança de sinal do dólar indica que os investidores estrangeiros estão bem mais avessos ao risco e exigentes do que antes. “Um exemplo disso é o fluxo estrangeiro na bolsa brasileira que foi negativo em R$ 12 bilhões, considerando os oito últimos pregões”, disse.
A alta do dólar ocorre às vésperas do relatório de emprego dos EUA, o payroll, que será divulgado amanhã (5).
Segundo Xavier, o indicador é um potencial fator para alteração das expectativas de juros e inflação norte-americanas, podendo gerar ainda mais aversão ao risco ou acalmar os ânimos.