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Ações caem 9%: Méliuz (CASH3) sente fraqueza do e-commerce e efeito Casas Bahia no 3T26; é hora de comprar?

05 nov 2026, 13:48
Méliuz (CASH3) (Imagem: Divulgação)
Méliuz (CASH3) (Imagem: Divulgação)

O Méliuz (CASH3) reportou um terceiro trimestre (3T26) marcado por desaceleração operacional, pressionado por um ambiente mais difícil para o varejo online, pela recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3), entre outras questões organizacionais.

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Por isso, as ações da empresa de tecnologia financeira chegaram a cair quase 10% no pregão regular desta quinta-feira (5).

Ainda assim, analistas de BTG Pactual e UBS BB mantiveram recomendação de compra para as ações do Méliuz, citando valuation atrativo e potencial de crescimento das novas avenidas de negócios da companhia.



Pente-fino no balanço do Méliuz (CASH3)

A receita líquida da empresa somou R$ 96,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 22,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 16,9% na comparação trimestral.

O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas, refletindo principalmente a interrupção da parceria com a Casas Bahia após o pedido de recuperação judicial da varejista, além do impacto ainda presente das mudanças promovidas pela Amazon em seu programa de afiliados.

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Por outro lado, o lucro líquido atingiu R$ 113,7 milhões, mas foi fortemente influenciado por efeitos não recorrentes. Entre eles, destaque para a reversão de R$ 78,5 milhões de perdas por impairment (não realizadas) relacionadas ao bitcoin (BTC) e um benefício fiscal de R$ 25,8 milhões decorrente da incorporação da Alter. Desconsiderando esses fatores extraordinários, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 19,6 milhões.

Já o Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) ajustado alcançou R$ 17 milhões, com margem de 17,7%.

Embora represente uma queda de cerca de 39% na comparação anual, o número ficou acima das projeções do UBS BB, beneficiado pela redução dos gastos com cashback e despesas de pessoal.

E-commerce perde força, mas novas linhas avançam

O principal negócio da companhia continuou enfrentando desafios. O GMV (volume bruto de mercadorias) da operação de shopping no Brasil atingiu R$ 1,25 bilhão, recuo de 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025. A receita de e-commerce caiu 35,3%, para R$ 50,4 milhões. Segundo a administração, apenas a saída da Casas Bahia representou aproximadamente R$ 15 milhões em receitas que deixaram de ser contabilizadas no trimestre.

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Por outro lado, a estratégia de diversificação continuou avançando. A divisão “Beyond e-commerce”, que engloba iniciativas como o Méliuz Nota Fiscal, registrou crescimento de 24% na comparação anual em bases comparáveis e passou a representar quase 29% da receita da operação brasileira. O programa de notas fiscais já processa mais de 20 milhões de comprovantes por mês, segundo o BTG.

A área de serviços financeiros também apresentou recuperação, com receita bruta de R$ 10,5 milhões, alta de 10% em relação ao ano anterior e de 28% frente ao trimestre imediatamente anterior.

Bitcoin continua no centro da estratégia

A estratégia de tesouraria baseada em bitcoin continuou influenciando os números do trimestre. A companhia vendeu 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões para financiar seu programa de recompra de ações, movimento que ajudou a sustentar a liquidez.

Ao final de setembro, o caixa da empresa detinha 526,7 bitcoins, avaliados em aproximadamente R$ 230 milhões.

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Segundo o UBS BB, a gestão continua priorizando recompras de ações quando entende que os papéis negociam com desconto, buscando elevar a quantidade de Bitcoin por ação.

O banco destaca que o primeiro programa de recompra consumiu R$ 41,5 milhões e gerou um ganho de 8,5% em “Bitcoin Yield”, métrica utilizada pela companhia para medir a exposição da criptomoeda por ação.

Qeredito final: o que dizem os analistas sobre o Méliuz (CASH3)

Para os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale, do BTG Pactual, os números confirmaram uma perda de ritmo operacional após trimestres mais fortes. A equipe destaca que a desaceleração do e-commerce, os impactos da recuperação judicial da Casas Bahia e as comparações mais difíceis explicam a fraqueza recente do desempenho.

Ainda assim, o BTG avalia que parte dessas pressões deve diminuir ao longo do tempo e vê potencial de compensação por meio do crescimento do Méliuz Nota Fiscal e de novas parcerias em serviços financeiros.

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Para o banco, as ações negociam a múltiplos atrativos e merecem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 7, o que implica potencial de valorização de mais de 60%.

Já os analistas Kaio Prato, Camila Azevedo e Eduardo Resende, do UBS BB, classificaram o trimestre como um resultado de crescimento fraco, mas dentro do esperado. Na avaliação da casa, o principal ponto negativo foi a pressão sobre a monetização do marketplace, enquanto o controle de custos ajudou a compensar parcialmente a receita mais fraca.

O UBS também manteve recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 6, argumentando que a companhia continua negociando a níveis atrativos de valuation.

Para os analistas, a recomposição das receitas fora do comércio eletrônico e o avanço da estratégia de bitcoin seguem como potenciais catalisadores para o papel nos próximos trimestres.

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É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney. renan.sousa@moneytimes.com.br
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