Economia

Por que Lula não colhe os frutos da economia? A resposta pode estar no seu prato, aponta estudo

06 abr 2026, 10:03 - atualizado em 06 abr 2026, 10:50
(Imagem: pcess609/ iStock)

O avanço da economia brasileira não tem sido suficiente para melhorar a percepção da população sobre o governo. Mesmo com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), queda do desemprego e inflação sob controle, o peso do custo de vida – especialmente dos alimentos – segue pressionando o orçamento das famílias e limitando ganhos de popularidade do governo.

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A desconexão ajuda a explicar o chamado “paradoxo da carestia”, apresentado pelo estudo da Kinitro Capital, em que indicadores macroeconômicos positivos convivem com a insatisfação do eleitor. Isso porque, na prática, “o eleitor não julga o governo apenas pelo crescimento do PIB, nível da taxa de desemprego ou inflação, dando mais importância à percepção de seu próprio custo de vida”.

O descompasso entre os dados oficiais e a realidade cotidiana fica mais evidente no supermercado. “Enquanto para o analista macroeconômico a inflação da cesta básica parece ancorada e sob controle, para o chefe de família a realidade é outra.”

Mesmo com a desaceleração recente, o nível de preços segue elevado. Como exemplo, eles citam o caso do pacote de arroz de 5 kg, que saiu de cerca de R$ 15 em 2019 para R$ 31 em 2024 e, mesmo após queda recente, ainda gira próximo de R$ 23, um patamar cerca de 50% acima do pré-pandemia.

Para mensurar esse efeito, o estudo utiliza o chamado ICV-Alimentos, indicador que mede quantas cestas básicas uma pessoa consegue comprar com sua renda líquida, já descontados compromissos financeiros. A proposta é capturar de forma mais direta o bem-estar das famílias, indo além das métricas tradicionais.

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Os dados mostram que, embora haja uma trajetória de recuperação desde 2023, o avanço ainda não foi suficiente para recompor o padrão de consumo. No auge da última década, entre 2010 e 2014, o brasileiro médio conseguia comprar quase 3 cestas básicas com sua renda líquida. Hoje, esse nível ainda não foi plenamente recuperado.

Diferentes impactos na população

Na prática, o impacto é desigual entre os diferentes grupos da população. A classe média, considerada o fiel da balança eleitoral, segue pressionada por um custo de vida elevado, enquanto não conta com o mesmo nível de proteção social das faixas mais baixas nem com a capacidade de absorver preços mais altos, como ocorre nas rendas mais altas.

Entre os trabalhadores, o cenário também reforça a percepção negativa. Aqueles que dependem exclusivamente do rendimento do trabalho enfrentam maior dificuldade para recompor seu padrão de vida.

Esse quadro ajuda a explicar por que os avanços macroeconômicos não se traduzem automaticamente em aprovação.

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Endividamento agrava situação

Além disso, o estudo aponta que o aumento do endividamento das famílias agrava a situação. Com maior comprometimento da renda, muitos consumidores recorrem a linhas de crédito mais caras para manter o consumo básico, o que reduz ainda mais a sensação de melhora econômica.

Nesse contexto, medidas focadas apenas no aumento da renda nominal tendem a ter efeito limitado. Com preços ainda elevados e maior pressão financeira, o ganho adicional acaba sendo absorvido pelo custo de vida.

O resultado é um cenário em que a economia apresenta sinais positivos nos indicadores tradicionais, mas ainda não consegue recuperar plenamente o bem-estar percebido pela população, um fator que deve seguir no centro do debate político à medida que o país se aproxima do período eleitoral.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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