Giro do Mercado

Eleição de novo presidente do conselho da Vale (VALE3) foi ruidosa, mas um avanço para a companhia, avalia analista da Empiricus

22 jul 2026, 14:21 - atualizado em 22 jul 2026, 14:22
vale
(Imagem: REUTERS/Pilar Olivares)

A eleição de Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do conselho de administração da Vale (VALE3), em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) nesta quarta-feira (22), gerou forte ruído no mercado, mas foi uma decisão favorável para a companhia, segundo Rui Hungria, analista da Empiricus.

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Para o especialista, a movimentação da Previ para adiantar a saída do antigo presidente, Daniel Stieler, causou receio entre os investidores sobre a possibilidade de interferência política na administração da Vale. No entanto, afirma Hungria, o profissional escolhido possui características capazes de reduzir essas preocupações.

“[Ollie] é um membro independente, com um longo histórico no setor, competente e muito respeitado pelos acionistas e pelo setor em geral. Por isso, ele tem potencial para melhorar a transparência e a governança da empresa”, afirmou Hungria, em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube. Assista à íntegra abaixo.

O especialista também destacou que as preocupações com governança e custos decorrentes do cenário político pressionaram as ações da Vale, que ainda são negociadas com desconto em relação às concorrentes australianas e seguem atraentes para investidores em busca de dividendos.

Além disso, Hungria avalia que a eleição de Ollie se insere num momento em que a Vale tenta reconquistar a confiança dos investidores por meio de melhorias operacionais consistentes, como foram citadas durante a divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26) da companhia, na véspera (21).

Prévia do 2T26

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Segundo Hungria, a prévia operacional da Vale referente ao segundo trimestre (2T26) trouxe sinais positivos para o mercado, indicando uma recuperação das operações após um início de ano impactado por chuvas mais intensas, que despertaram preocupações entre os investidores.

A companhia registrou alta de 0,8% na produção de minério de ferro na comparação anual, enquanto as vendas de 79,7 milhões de toneladas marcaram o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.

Além do minério de ferro, os metais básicos também apresentaram evolução. A produção de cobre avançou cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as vendas cresceram quase 10%.

Já no níquel, a produção subiu 4% na mesma base de comparação, e as vendas avançaram mais de 7%.

Preocupação com custos

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Apesar da evolução operacional, Hungria ressalta que ainda existe cautela em relação aos custos, motivada pela guerra no Oriente Médio e a elevação das despesas com combustíveis e fretes marítimos.

Sob sua perspectiva, esse cenário pode afetar a rentabilidade da Vale de forma mais intensa do que a de suas concorrentes australianas, devido à maior distância entre as operações brasileiras e o mercado chinês.

Por isso, o mercado aguarda a divulgação completa dos resultados financeiros do 2T26 para entender o impacto dessas pressões sobre margens e lucro da mineradora.

* Sob supervisão de Maria Carolina Abe

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente, estagiária de redação do Money Times e do Seu Dinheiro.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente, estagiária de redação do Money Times e do Seu Dinheiro.

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