Eleições 2026: São Paulo deve ficar sem os campeões de votos de 2022; entenda os impactos
O cenário político-eleitoral de 2026 para a Câmara dos Deputados em São Paulo desenha-se sob o signo da escassez. Um contingente superior a 3,3 milhões de eleitores, equivalente a quase 10% do eleitorado paulista, não encontrará nas urnas desta vez os nomes que consolidaram as maiores bancadas do Estado no último pleito.
A provável ausência dos quatro deputados federais mais votados de 2022 (Guilherme Boulos, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles) não representa apenas uma troca de cadeiras, mas um risco sistêmico para as legendas.
Sem seus “puxadores de voto”, PL e PSOL enfrentam o desafio de manter o quociente eleitoral e evitar uma retração brusca em Brasília.
A ausência de Boulos e Eduardo Bolsonaro
A reconfiguração do tabuleiro eleitoral paulista para 2026 é marcada pela saída de cena de seus dois maiores puxadores de votos.
Guilherme Boulos (PSOL), após romper a barreira de 1 milhão de votos, migrou do Legislativo para a gestão direta, como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, focando agora em entregas administrativas e articulação interna no governo Lula.
Já Eduardo Bolsonaro (PL) enfrenta um cenário de alta volatilidade institucional e desidratação política, após a cassação administrativa de seu mandato por excesso de faltas – ele está morando nos Estados Unidos e se diz um refugiado político.
A ausência de Boulos impõe ao PSOL o desafio crítico de pulverizar sua estratégia para evitar uma retração brusca de sua bancada e “market share” em Brasília.
No caso do clã Bolsonaro, a saída de jogo de Eduardo deixa o PL sem seu ativo eleitoral mais resiliente em São Paulo, obrigando o partido a buscar novas lideranças para sustentar o quociente eleitoral e o repasse do Fundo Partidário em 2027.
Desinvestimento e reposicionamento em SP
O cenário para 2026 registra, ainda, o “default” político de Carla Zambelli (PL), cuja cassação e inelegibilidade forçam o partido a tentar internalizar um espólio de quase 1 milhão de votos em novos nomes.
Paralelamente, Ricardo Salles executa um reposicionamento de ativos, migrando para o partido Novo em uma estratégia de longo prazo, ao trocar a disputa pela Câmara por uma pré-candidatura ao Senado, alterando a correlação de forças na centro-direita paulista.
A pulverização de um capital de 3,3 milhões de votos
O desfecho para 2026 desenha um cenário de fragmentação severa. No jargão do mercado, o que estamos prestes a presenciar é uma “liquidação forçada” de ativos eleitorais: sem seus dois maiores portfólios de votos, PL e PSOL perdem a capacidade de eleger bancadas extensas por meio do quociente eleitoral.
Enquanto o PSOL tenta encontrar um novo “catalisador” para evitar que o capital de Boulos se dissipe em abstenções ou migre para o PT, o PL lida com a volatilidade de não ter Eduardo Bolsonaro na disputa, deixando a bancada paulista sem sua principal âncora.
No fim, o grande perdedor desse “divórcio forçado” é o quociente partidário: sem os supercandidatos, a representação de São Paulo em Brasília tende a se tornar mais pulverizada, menos ideológica e dependente de nomes de menor capilaridade, elevando o custo da articulação política e alterando, de forma definitiva, o valor do voto no maior colégio eleitoral do país.
* Com supervisão de Maria Carolina Abe