Política

Eleições 2026: São Paulo deve ficar sem os campeões de votos de 2022; entenda os impactos

18 fev 2026, 16:49 - atualizado em 18 fev 2026, 16:49
eleições presidentes criptomoedas
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O cenário político-eleitoral de 2026 para a Câmara dos Deputados em São Paulo desenha-se sob o signo da escassez. Um contingente superior a 3,3 milhões de eleitores, equivalente a quase 10% do eleitorado paulista, não encontrará nas urnas desta vez os nomes que consolidaram as maiores bancadas do Estado no último pleito.

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A provável ausência dos quatro deputados federais mais votados de 2022 (Guilherme Boulos, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles) não representa apenas uma troca de cadeiras, mas um risco sistêmico para as legendas.

Sem seus “puxadores de voto”, PL e PSOL enfrentam o desafio de manter o quociente eleitoral e evitar uma retração brusca em Brasília.

A ausência de Boulos e Eduardo Bolsonaro

A reconfiguração do tabuleiro eleitoral paulista para 2026 é marcada pela saída de cena de seus dois maiores puxadores de votos.

Guilherme Boulos (PSOL), após romper a barreira de 1 milhão de votos, migrou do Legislativo para a gestão direta, como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, focando agora em entregas administrativas e articulação interna no governo Lula.

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Eduardo Bolsonaro (PL) enfrenta um cenário de alta volatilidade institucional e desidratação política, após a cassação administrativa de seu mandato por excesso de faltas – ele está morando nos Estados Unidos e se diz um refugiado político.

A ausência de Boulos impõe ao PSOL o desafio crítico de pulverizar sua estratégia para evitar uma retração brusca de sua bancada e “market share” em Brasília.

No caso do clã Bolsonaro, a saída de jogo de Eduardo deixa o PL sem seu ativo eleitoral mais resiliente em São Paulo, obrigando o partido a buscar novas lideranças para sustentar o quociente eleitoral e o repasse do Fundo Partidário em 2027.

Desinvestimento e reposicionamento em SP

O cenário para 2026 registra, ainda, o “default” político de Carla Zambelli (PL), cuja cassação e inelegibilidade forçam o partido a tentar internalizar um espólio de quase 1 milhão de votos em novos nomes.

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Paralelamente, Ricardo Salles executa um reposicionamento de ativos, migrando para o partido Novo em uma estratégia de longo prazo, ao trocar a disputa pela Câmara por uma pré-candidatura ao Senado, alterando a correlação de forças na centro-direita paulista.

 A pulverização de um capital de 3,3 milhões de votos

O desfecho para 2026 desenha um cenário de fragmentação severa. No jargão do mercado, o que estamos prestes a presenciar é uma “liquidação forçada” de ativos eleitorais: sem seus dois maiores portfólios de votos, PL e PSOL perdem a capacidade de eleger bancadas extensas por meio do quociente eleitoral.

Enquanto o PSOL tenta encontrar um novo “catalisador” para evitar que o capital de Boulos se dissipe em abstenções ou migre para o PT, o PL lida com a volatilidade de não ter Eduardo Bolsonaro na disputa, deixando a bancada paulista sem sua principal âncora.

No fim, o grande perdedor desse “divórcio forçado” é o quociente partidário: sem os supercandidatos, a representação de São Paulo em Brasília tende a se tornar mais pulverizada, menos ideológica e dependente de nomes de menor capilaridade, elevando o custo da articulação política e alterando, de forma definitiva, o valor do voto no maior colégio eleitoral do país.

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* Com supervisão de Maria Carolina Abe

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Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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