Eleitorado com até 18 anos cai em 2026 e TSE inicia campanha com mascote ‘Pilili’ para atrair jovens
O prazo de regularização para as eleições 2026 termina nesta quarta (6) e um balanço parcial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o total de eleitores entre 16 anos completos e 18 anos incompletos soma 1,61 milhão, cerca de 24% abaixo do pico registrado em 2022. Esse faixa de idade tem voto facultativo e o cenário oposto ao da eleição presidencial passada levou o TSE a iniciar uma campanha para atrair jovens ao voto em outubro com a criação até de um mascote, o “Pilili”.
As eleições de 2022 romperam um padrão de quase duas décadas de baixo engajamento entre adolescentes. Segundo o TSE, o salto de 51% em relação a 2018 foi impulsionado por campanhas massivas nas redes sociais e por um ambiente de forte polarização. O ambiente funcionou como um “ponto fora da curva”, marcado por uma mobilização digital intensa que falava diretamente à identidade do jovem.
A questão demográfica também entra na equação. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam mudanças graduais na estrutura etária do país, com o encolhimento das faixas mais jovens devido à queda na natalidade.
Historicamente, há uma concentração de solicitações nos últimos dias de alistamento eleitoral, o que pode elevar parcialmente o número final de títulos emitidos. Contudo, a Justiça Eleitoral projeta que, mesmo com os mutirões e a campanha, a distância em relação aos números de 2022 permanecerá relevante, consolidando a tendência de queda.
Mascote Pilili e ambiente para atrair jovens
No evento em comemoração aos 30 anos da urna eletrônica, nesta segunda (4) em Brasília (DF), o TSE mirou esses jovens, com o lançamento do mascote “Pilili”, um personagem em forma de urna eletrônica, além de disponibilizar painéis para selfies e exposições lúdicas.
Em um auditório com 120 alunos de quatro escolas do Distrito Federal – três públicas e uma privada -, a presidente do TSE, Cármen Lúcia, reforçou o sigilo do voto e a segurança das urnas e fez um apelo para que os estudantes votem no pleito de outubro. Na abertura do evento, Cármen disse que o mascote Pilili vai “andar pelo Brasil” em uma campanha para reforçar a confiança nas eleições.
“A urna é sua, é do Brasil e são vocês que têm que defendê-la, porque é a defesa da democracia feita por todos nós”, disse a presidente do TSE. “O que nós queremos é que cada vez mais, quem chegar a ter 16 anos até 4 de outubro possa votar e ser um verdadeiro cidadão, que diz quem ocupará os cargos de direção do País”, afirmou.
No evento, foi distribuído um guia para simulação do voto com personagens no lugar de candidatos. A disputa presidencial no segundo turno foi exemplificada por uma chapa composta por Futebol e Polo Aquático contra Forró e Pagode. O coordenador de Tecnologia Eleitoral, Rafael Azevedo, apresentou o funcionamento da urna, citou curiosidades sobre o equipamento e tirou dúvidas de alunos e professores.
Ele abriu um modelo de urna (fechada com três parafusos), mostrou seus componentes e explicou os diferentes procedimentos que atestam sua segurança. “A gente quer ser auditado e que as pessoas vejam com próprios olhos que a urna é auditável“, afirmou Azevedo. “Podem vir auditar, a gente não tem medo não.”
Segundo Azevedo, que trabalha há mais de 30 anos no TSE, o sistema da urna é “extremamente seguro e, se houver qualquer vulnerabilidade, a gente permite que a sociedade sugira alterações”. Ele ainda reforçou que o código-fonte dos sistemas eleitorais fica disponível durante um ano para fiscalização por entidades da sociedade civil, universidades e partidos, entre outros. Os sistemas continuam abertos para inspeção na sede do Tribunal até setembro.
* Sob orientação de Gustavo Porto