Ibovespa sobe de olho na ata do Copom e exterior; 5 coisas para saber antes de investir hoje (5)
O Ibovespa (IBOV) acompanhou o otimismo no exterior e opera em alta, a despeito das sinalizações de escalada nas tensões no Oriente Médio.
Os investidores também digerem as informações da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pesquisa de cenário eleitoral e dados econômicos dos Estados Unidos.
Por volta de 10h12 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava com alta de 0,41% aos 186.357,82 pontos.
O dólar à vista opera em queda ante o real, destoando do desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda recuava a R$ 4,9333 (-0,69%). Já o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,11%, aos 98,484 pontos.
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5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta terça-feira (5)
1 – Ata do Copom
O Banco Central (BC), na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), avaliou que a continuidade da guerra no Irã aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que o conflito já pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora em expectativas de mercado.
O documento apontou uma piora em dados correntes de inflação, que surpreenderam de forma negativa em valores significativamente acima do esperado, mostrando “sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos”, mas destacou que “eventos recentes não impediriam o prosseguimento” do ciclo de calibração da Selic.
Na ata, a autarquia afirmou que, entre os riscos que parecem ter se materializado após a guerra, aparece de forma mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para 2028.
“Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, enfatizou o documento, sinalizando que a extensão do ciclo de cortes na Selic poder ser mais curta.
2 – Pesquisa Real Time Big Data
Na pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está empatado tecnicamente com diferentes possíveis adversários em simulações de segundo turno da eleição presidencial. No cenário contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente, com 44%, ante 43% do petista.
Entre março e maio, Flávio subiu de 41% para 44% nas intenções de voto, enquanto Lula variou de 42% para 43%. Com isso, os dois permanecem tecnicamente empatados, dentro da margem de erro. O levantamento mostra ainda que 7% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo, enquanto 6% não souberam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o território nacional entre os dias 2 e 4 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03627/2026.
De acordo com o instituto, o presidente também aparece empatado tecnicamente com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), por 43% a 42%, e com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), por 43% a 39%, neste caso no limite da margem de erro.
O porcentual de votos brancos e nulos varia de 9% a 11%, enquanto os que não souberam ou não responderam oscilam entre 6% e 7%.
3 – Desenrola 2.0
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Novo Desenrola, voltado a famílias endividadas, não vai atrapalhar o trabalho do BC na busca pelo controle da inflação, defendendo ainda que a política fiscal do governo não é o fator de pressão sobre os juros no país.
A poucos meses das eleições de outubro, quando o presidente Lula deve tentar a reeleição, o governo disponibilizará até R$ 15 bilhões em garantias para viabilizar renegociações de dívidas e migrações para linhas de crédito mais baratas, reduzindo o comprometimento de renda das famílias.
Segundo Durigan, “nem tudo” que for liberado de renda com as renegociações de dívidas a partir da nova fase do Desenrola será revertido em consumo.
4 – Dados econômicos dos EUA
Por volta das 10h45 (horário de Brasília), a S&P Global divulga os índices de gerentes de compras (PMI, em inglês) de serviços de abril dos Estados Unidos. Um pouco mais tarde, por volta das 11h, sai o PMI de serviços do ISM.
No mesmo horário, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulga o relatório de abertura de vagas, conhecido como Jolts, de março. A expectativa é de que o dado indique 6,8 milhões de postos criados, com um cenário de atividade ainda resiliente.
5 – Escalada de tensões em Ormuz
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou hoje que o conflito com os Estados Unidos em torno do Estreito de Ormuz “ainda nem começou”.
“A nova equação do Estreito de Ormuz está se consolidando”, escreveu Ghalibaf, que é um dos principais negociadores iranianos, em publicação no X. “Sabemos bem que a continuidade da situação atual é insuportável para os EUA, enquanto nós ainda nem começamos.”
Ele também disse que Washington e seus aliados colocaram em risco “a segurança da navegação e do transporte de energia”, com a “violação do cessar-fogo” e a “imposição de um bloqueio”. “No entanto, seu mal será reduzido.”
As Forças Armadas dos EUA disseram na segunda-feira (4) que destruíram seis pequenos barcos iranianos, bem como mísseis de cruzeiro e drones, depois que o presidente Donald Trump enviou a Marinha para escoltar navios-tanque retidos através do estreito em uma campanha que ele chamou de “Projeto Liberdade”.
A estreita via navegável, que transporta uma grande parte dos suprimentos globais de petróleo, fertilizantes e outras commodities, está praticamente fechada desde que EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã em 28 de fevereiro, causando aumentos de preços em todo o mundo.
Vários navios mercantes no Golfo relataram explosões ou incêndios na segunda-feira, e um porto de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, que abriga uma grande base militar dos EUA, foi incendiado por mísseis iranianos.
*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo