Em primeira balanço após IPO, Compass (PASS3) tem lucro caindo 9%
A Compass (PASS3) reportou lucro líquido de R$ 382 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), queda de 9% na comparação anual, pressionada pelo aumento das despesas financeiras e pela maior depreciação ligada à entrada de novos projetos em operação.
A divulgação foi a primeira da empresa, que estreou na B3 na última segunda-feira (11).
A receita operacional líquida somou R$ 3,16 bilhões entre janeiro e março, recuo de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) atingiu R$ 1,33 bilhão, alta de 2% na base anual.
Segundo a companhia, o desempenho operacional foi sustentado pelo avanço dos volumes e melhora do mix no segmento de distribuição, além da expansão da Edge no mercado on-grid e do início das operações de GNL B2B off-grid e da planta de biometano Onebio.
“A Compass encerrou o 1T26 com o EBITDA de R$ 1,3 bilhão, um crescimento de 2% frente ao mesmo período do ano anterior, reflexo de maiores volumes com melhor mix no segmento de distribuição e pela expansão dos volumes da Edge no on-grid”, afirmou a companhia no documento publicado na noite desta quarta.
No segmento de distribuição, o volume distribuído avançou 1%, para 13,9 milhões de metros cúbicos por dia, enquanto o Ebitda da divisão cresceu 10%, para R$ 1,06 bilhão. A Compass destacou o avanço dos segmentos residencial e industrial, além do crescimento da distribuição de gás natural para transporte pesado.
O volume residencial cresceu 5% com o aumento da base de clientes conectados e temperaturas mais amenas. Já o industrial subiu 1%, impulsionado pelos setores de cogeração, alimentos e vidro. Por outro lado, o segmento de mobilidade caiu 9%, ainda pressionado pela competitividade frente a outros combustíveis na frota leve.
Na Edge, braço de comercialização, o volume comercializado no mercado interno avançou 27%, para 416 milhões de metros cúbicos. Ainda assim, o Ebitda da unidade caiu 14%, para R$ 312 milhões.
A companhia afirmou que antecipou volumes de otimização de cargas deslocados ao mercado externo para maximizar captura de valor no portfólio. Excluindo efeitos temporais dessas cargas, o Ebitda normalizado da unidade teria crescido 36%, para R$ 187 milhões.
O trimestre também marcou o início da operação de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para clientes fora da malha de gasodutos, com capacidade inicial de até 400 mil metros cúbicos por dia. A operação utiliza o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), em Santos, para abastecer consumidores em um raio de até 1.200 quilômetros.
As despesas financeiras líquidas somaram R$ 425 milhões no trimestre, alta de 15%, refletindo juros mais elevados e aumento do endividamento líquido.
Já a depreciação e amortização cresceram 13%, para R$ 351 milhões, também pressionando o lucro.
Os investimentos da Compass totalizaram R$ 400 milhões no trimestre, avanço de 9%, concentrados principalmente na expansão das operações de distribuição.
A dívida líquida encerrou março em R$ 11,1 bilhões, alta de 6% frente ao fim de 2025, enquanto a alavancagem medida por dívida líquida/Ebitda passou de 2,1 vezes para 2,2 vezes.
A companhia destacou que captou R$ 2,6 bilhões em debêntures de longo prazo em subsidiárias como Comgás, Edge e Compagas, com parte dos recursos destinada à gestão do passivo.