Em recorde: S&P 500 renova máxima intradia histórica com reprecificação dos juros nos EUA
Em Wall Street, o índice S&P 500 renovou a máxima recorde intradia nesta quinta-feira (13) após dados de inflação adiarem a aposta de retomada do ciclo de aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), de setembro para dezembro.
Mais cedo, o S&P 500 atingiu os 7.816,70 pontos, maior nível nominal histórico.
Segundo o Bureau de Estatísticas do Trabalho do Ministério do Trabalho, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) ficou estável em julho, após uma queda de 0,1%, em dado revisado no mês anterior. Os economistas consultados pela agência de notícias Reuters previam alta de 0,2% do índice, após recuo de 0,3% divulgado anteriormente em junho.
Nos 12 meses até julho, os preços ao produtor subiram 4,7%, após terem avançado 5,5% em junho.
“O resultado sinaliza que a pressão inflacionária observada nos últimos meses, intensificada pelo conflito no Oriente Médio e pelo avanço dos preços de energia, começa a perder força”, afirmou William Castro, estrategista-chefe da Avenue.
“Para os mercados, a leitura é positiva. Um dado acima do esperado aumentaria as preocupações com a persistência da inflação e poderia reforçar a expectativa de uma política monetária mais restritiva por parte do Fed. Como isso não ocorreu, o indicador reduz a pressão sobre juros e contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco”, acrescentou Castro.
Na véspera, o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,1% no mês de julho, após um recuo de 0,04% em maio. A inflação norte-americana no acumulado dos últimos 12 meses soma 3,4%, em linha com o esperado pelo mercado. Com isso, os preços ainda estão acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.
“Em nossa avaliação, a inflação do núcleo, rodando a uma taxa anualizada de 1,6% em três meses, enfraquece o argumento a favor de um aperto monetário pelo Fed”, avaliou Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING.
“Os dados de emprego da semana passada e CPI, em conjunto, retiraram 5 pontos-base das expectativas para o Fomc de setembro, mas 9 pontos-base continuam precificados. Para dezembro, a reprecificação foi de -10 pontos-base, mas um aumento integral de 25 pontos-base ainda está embutido na curva”, acrescentou.
Após os dados, o mercado passou a precificar apenas uma alta nos juros pelo Fed, em dezembro. Antes dos dados, a aposta majoritária era de elevação já na próxima decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do BC norte-americano.
Por volta de 15h30 (horário de Brasília), a ferramenta FedWatch, do CME Group, mostrava 67,9% de chance de o Fed manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano em setembro, ante 59,4% de ontem. Há a probabilidade de 51,1% de uma nova manutenção na decisão de outubro e chance de 67,3% de alta nos juros em dezembro.