Dividendos crescem na B3 e somam US$ 6,3 bilhões, com destaque para uma empresa; recompras de ações recuam
Segundo levantamento da gestora global Janus Henderson, divulgado nessa terça-feira (21), as empresas listadas na B3 distribuíram US$ 6,3 bilhões em dividendos ao longo do primeiro trimestre de 2026.
Representando uma alta de 9% em relação ao mesmo período de 2025 e de 9,6% na comparação com a média global, desconsiderados os efeitos extraordinários e cambiais, o montante posiciona o Brasil como o 11º maior pagador de dividendos do mundo e o líder da América Latina.
A análise destacou uma companhia como uma das principais responsáveis por essa liderança brasileira: a Vale (VALE3). Em um ano, a empresa ampliou seus pagamentos em 34,6%, com o valor distribuído por ação passando de R$ 2,66 para R$ 3,58.
Paralelamente, a Janus Handerson indica que a recompra de ações (buybacks) toma uma direção totalmente oposta. Por mais que isso exponha um aparente recuo global, especialistas avaliam que a estratégia ainda continua ganhando destaque como uma forma de remunerar os acionistas.
Recompra de ações vs dividendos
Enquanto os dividendos representam uma tendência no mercado global, onde as empresas distribuíram um recorde de US$ 424,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — uma alta nominal de 10,1% sobre igual período do ano anterior —, a recompra de ações apresentaram cenário oposto.
As recompras de ações, estratégia pela qual as empresas direcionam recursos internos para comprar papéis próprios e retirá-los de circulação, elevando o lucro por ação ao longo do tempo, somaram US$ 425,7 bilhões no período, segundo a Janus Henderson. O valor representa uma queda anual de 3,1%.
O método ainda é uma forma atrativa para empresas alocarem capital, sobretudo em momentos de maior incerteza, marcados por juros elevados, crescimento econômico mais moderado e empresas negociadas a preços considerados descontados na bolsa.
No Brasil, as companhias anunciaram aproximadamente US$ 600 milhões em recompras, volume que coloca o país na 14ª posição do ranking global. Entre as empresas globais, a Apple se consolida como a líder no programa de recompra de ações.
Setores promissores para os dividendos
Segundo a gestora, os dividendos contam com um novo motor para auxiliar no seu crescimento global: a Inteligência Artificial (IA), cujos efeitos já são visíveis em setores ligados à cadeia de infraestrutura tecnológica.
Nesse cenário, o setor de materiais básicos registrou a maior expansão dos pagamentos, com crescimento de 47,1% na comparação anual, impulsionado pela demanda por cobre, lítio e outros insumos utilizados em data centers e semicondutores.
Foi também apontado o setor financeiro como posto de maior distribuidor de dividendos do mundo, com pagamentos de US$ 90,8 bilhões no trimestre. Entre as empresas, a Saudi Aramco foi novamente destaque como a maior pagadora de dividendos do mundo.