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Engie (EGIE3) tem potencial limitado de criação de valor em operação com Jirau, dizem analistas

11 jun 2026, 13:03 - atualizado em 11 jun 2026, 13:08
Engie
(Imagem: REUTERS/Charles Platiau)

A proposta da Engie Brasil (EGIE3) de incorporar uma participação de 40% na hidrelétrica de Jirau por meio de uma oferta subsequente de ações (follow-on) foi recebida com cautela pelos analistas do mercado financeiro.

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Eles reconhecem méritos na estrutura financeira da operação e na lógica estratégica do negócio, mas avaliam que o potencial de geração de valor para os acionistas é limitado no curto prazo, em meio a uma avaliação considerada exigente para o ativo e à ausência de catalisadores mais relevantes para as ações.

Por volta das 13h desta quinta-feira (11), as ações da companhia subiam 0,8%, a R$ 11,54.

Na véspera, a Engie anunciou uma operação que prevê a transferência da fatia de 40% de Jirau atualmente detida pela Engie Brasil Participações (EBP) para a Engie Brasil Energia. A participação foi avaliada em R$ 5,7 bilhões por um comitê independente, o que implica um valor de R$ 14,4 bilhões para 100% da usina.

Valor do ativo

Para o banco Safra, o principal ponto de atenção está justamente na avaliação atribuída ao ativo. Segundo os analistas, os 40% de Jirau valeriam cerca de R$ 4,4 bilhões em seu cenário-base, valor aproximadamente 29% inferior ao preço considerado na transação.

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O banco estima ainda que a oferta possa movimentar cerca de R$ 8,4 bilhões. O montante inclui os R$ 5,7 bilhões relativos à transferência da participação em Jirau e aproximadamente R$ 2,6 bilhões referentes à adesão dos acionistas minoritários nas mesmas condições oferecidas ao controlador.

Na avaliação do Safra, trata-se de uma operação de grande porte. Para evitar diluição, os minoritários precisariam desembolsar os R$ 2,6 bilhões adicionais, elevando o valor total da operação para algo equivalente a cerca de 22% do valor de mercado da Engie.

Os analistas também observam que, mesmo que os acionistas minoritários rejeitem a incorporação e a avaliação proposta para Jirau, a companhia ainda poderia realizar uma oferta para captar recursos destinados ao pagamento da UBP, obrigação estimada em R$ 2,4 bilhões.

‘Coerência econômica’

O Bradesco BBI considera que a transação possui “coerência econômica”. Os analistas Francisco Navarrete e Renato Chanes afirmam que o retorno implícito de Jirau é compatível com o custo de capital percebido na Engie, o que sustenta uma visão neutra a levemente positiva da operação.

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Na visão do BBI, a participação ativa dos acionistas minoritários e a flexibilidade para executar a oferta mesmo sem a incorporação da participação em Jirau reduzem os riscos de execução e reforçam a disciplina financeira da companhia.

Além disso, o destino dos recursos — voltado para redução de passivos e financiamento de investimentos — é visto como um fator positivo para o fortalecimento do balanço da empresa.

Por outro lado, o Bradesco BBI diz que a usina já possui parcela significativa de sua energia contratada até 2034, o que reduz o potencial de captura de ganhos adicionais no curto prazo. Com isso, a criação de valor passa a depender mais da execução operacional e da gestão do portfólio de ativos da companhia.

O Safra também reconhece que existem fatores capazes de elevar a rentabilidade da operação. Em seu cenário-base, o banco calcula uma taxa interna de retorno (TIR) real de 6,6%. Considerando a renovação dos benefícios fiscais da Sudam até 2037, ganhos de modulação de R$ 10 por MWh e melhorias no GSF (Generation Scaling Factor), a TIR poderia avançar para aproximadamente 9,3%.

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Ainda assim, o banco avalia que as condições iniciais da transação permanecem exigentes frente às suas premissas e manteve recomendação underperform para as ações da Engie Brasil.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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