Entenda o que a CPMI do INSS tem a ver com o caso do Banco Master
O caso do Banco Master pode respingar em outro escândalo em Brasília. Recentemente, foi aprovada a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático do dono do banco, Daniel Vorcaro, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O banqueiro foi convocado para prestar depoimentos sobre possíveis irregularidades, como falta de contratos, assinaturas duvidosas e desvios estimados em bilhões.
Vorcaro seria ouvido no dia 5 de fevereiro, mas teve o depoimento adiado em duas oportunidades – primeiro, para 19 de fevereiro e, depois, para 26 de fevereiro. Agora, o depoimento foi remarcado para o dia 23, próxima segunda-feira, às 16h, no Senado.
Qual a relação entre a CPMI do INSS e o Banco Master
A CPI do caso Master está em “modo avião”, dentro da Câmara e do Senado, e sem perspectiva de ser pautada. Enquanto isso, a CPMI do INSS pode ser um caminho alternativo para desvendar até onde vão as fraudes do banco.
A suspeita é que o Master tenha fraudado empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS. A instituição concedeu mais de 250 mil contratos irregulares, muitos sem comprovação de autorização dos beneficiários, o que levou o INSS a bloquear repasses e não renovar acordos.
No último dia 5, a CPMI ouviu o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que explicou porque a instituição decidiu não renovar o contrato do Banco Master com o INSS para empréstimos consignados. Dos 324 mil contratos de crédito com aposentados, 251 mil não possuíam os documentos exigidos.
O rastro dos fundos
A relação entre o Master e o INSS vai além dos empréstimos. A CPMI também estendeu seus tentáculos para os investimentos bilionários feitos por institutos de previdência estaduais — como Rioprevidência e Igeprev — em fundos geridos ou estruturados pelo Master.
Parlamentares questionam a liquidez e o risco desses ativos, colocando em dúvida a segurança das reservas previdenciárias de milhares de servidores, com o temor de um “efeito dominó” em regimes próprios de previdência.
* Com supervisão de Maria Carolina Abe