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EOS: como não fazer o lançamento de uma rede 

16/02/2020 - 11:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Escalabilidade completa em blockchain foi um grande atrativo para o lançamento da rede EOs. Porém, nada aconteceu conforme o ocorrido (Imagem: Facebook/Block.one)

EOS, fundada pela Block.One em 2017, é a sexta maior criptomoeda em capitalização de mercado do mundo e foi promovida como uma plataforma blockchain completamente escalável para a hospedagem de aplicações descentralizadas (dApps).

Enfrentou críticas por diversos motivos e, em geral, as opiniões sobre o projeto são distintas. No entanto, o lançamento de sua rede principal pode ser descrito como algo muito malfeito.

A data de lançamento da rede estava marcada para o dia 2 de junho de 2018 e, embora tenha sido lançada nove dias depois, os tokens ainda estavam no limbo.

Atualmente, os tokens EOS estão sendo negociados a US$ 5,03.

Preços do EOS nos últimos sete dias. (Fonte: Brave New Coin)

Olha o spam

Os problemas com o lançamento começaram com a invasão ao cliente de e-mail da Block.One. Um e-mail de phishing (para roubo de informações) foi utilizado e os invasores conseguiram escapar com milhões de dólares conforme usuários eram redirecionados para um site falso onde seus detalhes eram coletados ao seguirem instruções contidas no e-mail.

E-mail de phishing utilizado

Falhas encontradas

Os problemas de segurança da EOS continuaram conforme a data de migração para a rede principal (1º de junho) se aproximava.

Qihoo360, empresa de segurança de software chinesa bem-conhecida, afirmou ter encontrado diversas falhas na rede EOS. Algumas eram tão graves que hackers poderiam controlar nós na rede de forma remota e atacar quaisquer criptomoedas criadas nela.

Qihoo360 declarou que informou a EOS das vulnerabilidades e que a empresa as reconheceu, decidindo esperar antes de lançar a rede.

No entanto, em um tuíte, Block.One afirmou que corrigiu ou estava em processo de correção de todas as falhas na rede e que o lançamento da rede ainda estava agendado.

Para aumentar ainda mais a confusão, EOS decidiu estabelecer um programa de “bug bounty” (em que desenvolvedores são convidados a revisar o código para encontrar alguma vulnerabilidade) no dia 31 de maio, um dia antes do lançamento. O programa encontrou diversas falhas preocupantes na rede.

Centralização

Outro problema trazido à luz antes do lançamento foi o nível de centralização na estrutura de governança da EOS. Nick Szabo, grande influenciador cripto, criticou a “constituição” da EOS da Block.One nos dias que precediam o lançamento e destacou a falta de escalabilidade social da rede.

A constituição parece prescrever uma abordagem bem-armada de como a rede EOS deveria ser executada. Palavras como “penalidades” e “arbitragem” aparecem no documento e parece que a Block.One não está focada somente em criar um blockchain imutável.

No entanto, para alguns, essa “abordagem de inspeção” pode não importar e, possivelmente, pode ajudar a EOS ao apresentar a plataforma de dApps que prometeu, permitindo que haja mais acordos diretos de disputa e maior controle de questões políticas.

EOS também usa um protocolo de consenso de proof-of-stake delegado (DPoS). Isso se resume a 21 criadores de bloco que controlam a rede em nome da comunidade EOS. Foi questionada a questão de quanto poder esses nós têm na rede. Alguns sugeriram que poderiam “imprimir” (emitir) novos tokens caso desejassem.

A rede foi lançada, mas os problemas da EOS.IO continuaram (Imagem: Facebook/Block.one)

Onde estamos?

O lado bom dessa história é que a rede principal foi, de fato, lançada. No entanto, EOS parece longe de ter solucionado seus problemas logísticos de curto prazo para a rede.

A votação para decidir quem serão os 21 produtores de bloco da rede tem sido um desafio contínuo para a implementação.

Inicialmente, decidiu-se que quando a rede fosse lançada, produtores de bloco designados (ABPs) iriam verificar e facilitar a votação para decidir quem faria parte do primeiro grupo de novos produtores de bloco (BPs) da rede.

A votação estaria finalizada quando 15% dos tokens estivessem em staking para, então, os novos nós começarem suas atividades e a rede começar a operar.

O plano foi inútil. O CTO Dan Larimer e a Block.One como um todo decidiram deixar o gerenciamento de votos para um único ABP, gerando, novamente, preocupações sobre a natureza centralizada da governança da comunidade EOS.

Conversa dos desenvolvedores da EOS no Telegram

O fato de que a coleta e a contagem de votos estão sendo controladas por uma entidade cria um problema de confiança na comunidade. Um único ABP pode escolher quaisquer 21 produtos de bloco que quiser e, por conta da falta de transparência e verificação, a comunidade nunca saberia.

Felizmente, em setembro de 2018, Kyle Samani, da Multicoin Capital, afirmou, em uma publicação na Forbes, como funcionaria esse sistema de votação.

Basicamente, é como se fosse um tipo de transação, em que um usuário assina uma transação com sua chave privada, especificando para quais produtores de bloco iria seu voto.

Ele encorajou outros participantes do ecossistema a criar elaborações parecidas com a deles a fim de permitir que outros alavanquem estruturas de alta qualidade ao decidirem em quais produtores de bloco irão votar. Samani afirmou que irão continuar a rever essa estrutura conforme avaliam os produtores de bloco em uma base contínua.

O lançamento da rede EOS foi um projeto de larga escala e de um ano de duração. Caso esse processo de migração tiver sucesso, a maior parte dos problemas será esquecida. No entanto, durante isso, o modelo EOS é um exemplo clássico de como não lançar uma rede.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 11/02/2020 - 17:22