Esta ação pode disparar até 30% na bolsa, segundo a Genial; entenda o porquê
A Genial Investimentos iniciou a cobertura da Multiplan (MULT3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 37 para as ações, destacando a qualidade dos ativos da companhia e a capacidade de crescimento nos próximos anos.
O valor estipulado para o papel representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 31% frente à cotação atual, de R$ 28,35. Acompanhe o tempo real.
Em relatório, o analista João Caldas apontou que o mercado, em geral, ainda não precifica integralmente os retornos dos projetos de expansão, revitalização e desenvolvimento imobiliário da administradora de shoppings, que possui um dos maiores portfólios do setor no país.
Segundo ele, a Multiplan reúne 20 empreendimentos considerados dominantes em suas regiões de atuação, característica que favorece a resiliência operacional e contribui para o crescimento dos aluguéis acima da inflação.
A Genial, inclusive, projeta avanço médio anual de 5,2% no NOI (resultado operacional líquido dos imóveis) nos próximos cinco anos para a empresa.
“A Multiplan negocia a um valuation que ainda não reflete plenamente a qualidade e o retorno de seus projetos de expansão”, afirmou Caldas.
Outro destaque é a eficiência operacional da companhia. De acordo com o relatório, a taxa média de ocupação dos shoppings alcançou 96,3%, enquanto a margem NOI ficou em 92,6% nos últimos três anos, números considerados elevados para o segmento.
Expansões e juros menores podem impulsionar crescimento
Apesar disso, a Genial ainda vê espaço para mais crescimento. Isso porque, após concluir duas expansões recentemente em seus shoppings, a Multiplan prevê entregar mais dois projetos ao longo de 2026.
Na visão da corretora, um eventual ciclo de queda da Selic também poderia beneficiar ainda mais a empresa, reduzindo o custo de capital e aumentando a atratividade econômica de novos investimentos.
“Um cenário de corte de juros seria especialmente favorável para uma companhia com pipeline relevante e histórico consistente de expansões e revitalizações”, disse a casa.
Além disso, a estrutura financeira é vista como outro diferencial: a expectativa é que a relação entre dívida líquida e EBITDA (alavancagem) permaneça abaixo de 2,6 vezes nos próximos anos.
“Em um cenário de Selic mais baixa, essa posição financeira cria opcionalidade para acelerar projetos de expansão além de 2026, que vemos como um movimento positivo.”
Projetos multiuso e uso de dados
Outro ponto destacado no relatório é o avanço dos empreendimentos multiuso desenvolvidos ao redor dos shoppings da Multiplan.
O principal exemplo é o Golden Lake, um bairro privativo que está em construção em Porto Alegre (RS), próximo ao BarraShoppingSul, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 4,9 bilhões.
O objetivo do complexo, que terá 20 torres residenciais desenvolvidas pela própria Multiplan, é estimular a ocupação do entorno e ampliar o fluxo na região.
Segundo a Genial, o empreendimento reforça a capacidade da companhia de monetizar seus terrenos e gerar valor adicional para os acionistas.
Além disso, a corretora também elogia a estratégia da empresa de utilizar dados e tecnologia para aprimorar a operação dos seus ativos.
De acordo com o relatório, o aplicativo mobile da Multiplan já supera 10 milhões de downloads e auxilia decisões relacionadas ao mix de lojas, campanhas promocionais e relacionamento com consumidores.
Somado a isso, a casa aponta que a empresa realizou cerca de 1.300 eventos em 2025, iniciativa que contribuiu para elevar o fluxo de visitantes em seus shoppings e impulsionar as vendas dos lojistas.
De acordo com a Genial, esses fatores, juntos, ajudaram a sustentar o crescimento médio de 7,1% do aluguel das mesmas lojas (SSR) nos últimos 12 trimestres.
Multiplan: o que pode dar errado?
Apesar da visão positiva, o relatório aponta alguns riscos para a tese de investimento. Entre eles, estão possíveis atrasos ou retornos abaixo do esperado nos projetos de expansão e revitalização, além da pressão sobre ocupação em um cenário econômico mais desafiador.
A corretora também cita como riscos eventuais dificuldades na monetização dos projetos multiuso e a permanência dos juros em patamares elevados por mais tempo, cenário que poderia reduzir a atratividade econômica de novos investimentos.