Even (EVEN3) cai 3% após balanço abaixo do esperado; o que dizem os analistas
As ações da Even (EVEN3) operam em baixa nesta sexta-feira (14), em reação ao balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), que ficou abaixo das expectativas da maior parte dos analistas. Por volta das 13h40, os papéis caíam 3,39%, a R$ 4,27.
A incorporadora registrou receita líquida de R$ 201 milhões no período, resultado 22% inferior à projeção do Bradesco BBI. A margem bruta recuou para 13,8%, refletindo a pressão de custos e a maior apropriação de juros capitalizados nos empreendimentos.
O lucro líquido somou R$ 31 milhões, mas foi sustentado por um ganho extraordinário de R$ 55 milhões com a venda de participações em sociedades de propósito específico (SPEs).
“Sem esse efeito, o resultado final teria sido substancialmente pior”, destacou o BBI.
Na mesma linha, o BTG Pactual calcula que, desconsiderando o ganho não recorrente, a companhia teria reportado prejuízo líquido de R$ 24 milhões, mais que o dobro da expectativa de lucro de R$ 11 milhões. O banco também destacou que o lucro reportado caiu 37% na comparação anual, enquanto o retorno sobre patrimônio (ROE) ficou em apenas 6%.
Para o Itaú BBA, o resultado foi fraco em praticamente todas as linhas do balanço. O banco chamou atenção para a compressão das margens e para um consumo de caixa superior ao esperado.
Queima de caixa e alavancagem preocupam
A geração de caixa também foi um dos pontos de maior preocupação entre os analistas. A Even registrou queima de caixa operacional de R$ 95 milhões no trimestre, acima da projeção de R$ 52 milhões do Itaú BBA. Parte desse desempenho foi atribuída aos desembolsos relacionados à aquisição de terrenos.
Como consequência, a alavancagem seguiu em trajetória de alta. Segundo o BBA, a incorporadora encerrou junho com dívida líquida ajustada de R$ 712 milhões, equivalente a 30,9% do patrimônio líquido. Um ano antes, essa relação era de 10,1%.
No operacional, o cenário também inspira cautela. O Bradesco BBI destaca que as vendas líquidas recuaram 38% em relação ao trimestre anterior, enquanto a velocidade de vendas (VSO) caiu para 4%, indicando um ambiente mais desafiador para o segmento de média e alta renda.
O Safra compartilha avaliação semelhante e afirma que a desaceleração comercial foi uma das principais razões para a queda da receita no período.
Bancos seguem vendo potencial na ação
Apesar do resultado abaixo das expectativas, os bancos seguem destacando o desconto dos papéis na Bolsa. Segundo o Itaú BBA, a Even negocia a cerca de 0,4 vez o valor patrimonial, enquanto o Safra vê múltiplo semelhante e potencial de valorização superior a 100%.
Na visão do Safra, a empresa continua enfrentando um cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados e elevada oferta de imóveis.
O banco ressalta ainda que a incorporadora possui um estoque equivalente a cerca de 24 meses das vendas acumuladas nos últimos 12 meses, além de um relevante pipeline de lançamentos de alto padrão, segmento mais sensível ao custo do crédito.
Já o Bradesco BBI avalia que, embora o banco de terrenos permaneça robusto e a ação negocie com forte desconto, faltam catalisadores de curto prazo capazes de melhorar a percepção dos investidores sobre a tese.
Recomendações dos principais bancos
| Banco | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|
| Bradesco BBI | Neutra | – |
| BTG Pactual | Neutra | R$ 9,50 |
| Safra | Neutra | R$ 9,00 |
| Itaú BBA | Market Perform | R$ 8,30 |
Considerando os preços-alvo dos principais bancos, o potencial de valorização para as ações da Even varia de aproximadamente 95%, segundo o Itaú BBA, a 115%, de acordo com as estimativas do BTG Pactual.
*Sob supervisão de Juliana Américo