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Extrema-direita pode vencer eleição regional crucial na França

18 jun 2021, 21:50 - atualizado em 18 jun 2021, 21:50
França Bandeira
O forte desempenho de Mariani se deve em parte à desagregação dos partidos tradicionais (Imagem: Reuters/Benoit Tessier)

Thierry Mariani não sabia o que esperar quando sua campanha chegava para tentar atrair eleitores em uma feira em Antibes.

Sua chefe no partido de extrema direita, Marine Le Pen, encontrou uma multidão furiosa quando visitou o local seis anos antes. Mas algo mudou nesse canto da França — e talvez em todo o país.

“A ameaça do bicho-papão não funciona mais”, disse Mariani em entrevista. Em vez de ouvir gritos e xingamentos, ele posou para selfies e conversou com os frequentadores das barracas de queijos, flores e verduras.

A França se prepara para eleições regionais a partir de domingo e Mariani é favorito para assumir a região em torno de Marselha, a segunda cidade mais populosa da França, e a Riviera Francesa. Se ele vencer nesta que será a última votação nacional antes da eleição presidencial em abril, seria a primeira vez que o movimento de Le Pen consegue o controle de uma região e mostraria que a mensagem mais moderada dela está sendo bem recebida muito além das áreas tradicionais de apoio do partido.

Isso poderia ajudar Le Pen a ganhar “a credibilidade que seu movimento não tem” enquanto ela se prepara para tirar o cargo do presidente Emmanuel Macron, diz Gilles Ivaldi, cientista político que estuda movimentos radicais de direita. Pode servir como um impulso para ela chegar ao Palácio do Eliseu, acrescenta.

Mariani, de 62 anos, atuou como ministro dos Transportes durante a presidência de Nicolas Sarkozy e foi prefeito de Valreas. Ele atualmente é membro do Parlamento Europeu.

Uma década atrás, Mariani concorria neste mesmo pleito contra o pai de Marine Le Pen, Jean-Marie, como candidato dos Republicanos, o tradicional partido conservador da França.

Ele informalmente se juntou ao movimento de Marine quando ela assumiu a liderança e agora é um de seus mais populares aliados.

O forte desempenho de Mariani se deve em parte à desagregação dos partidos tradicionais, que lutam para se reestabelecer desde que o centrista Macron venceu em 2017 e detonou o antigo sistema bipartidário do país.

Os Verdes na região disputada, Provença-Alpe-Côte-d’Azur, não conseguiram costurar uma aliança com o partido populista de esquerda França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon.

Renaud Muselier dos Republicanos tenta se reeleger e fez uma parceria com o partido de Macron. Mas isso irritou eleitores, bem como correligionários que temem que o pacto prejudique a credibilidade dos Republicanos como alternativa a Macron. Eles também temem que o presidente enfraqueça o partido ao conquistar mais membros liberais, enquanto Le Pen absorve os elementos mais à direita.

A vitória de Mariani não é certeza. Muselier está apenas com 8 pontos de desvantagem, com 36% das intenções de voto no segundo turno, conforme pesquisa recente da LCI.