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Fabrício Tota: ativos digitais em um mundo pós-COVID-19 – a verdadeira diversificação

22/05/2020 - 13:00
Entenda por que ativos digitais são a classe de investimento mais indicada para quem quer investir durante a crise (Imagem: Freepik/photoroyalty)

O ano é 2008. Nos Estados Unidos, explode uma crise essencialmente financeira, com origem no setor imobiliário americano e que, rapidamente, contaminou todo o sistema.

Uma bolha no mercado imobiliário, crédito amplamente disponível e produtos financeiros complexos relacionados a esse mercado, são alguns dos motivos que arrastaram o mundo todo a esta crise, com severos impactos nos preços dos ativos.

A resposta? De imediato, socorro a algumas instituições financeiras e uma grande injeção de liquidez na economia. Diversos bancos americanos quebram enquanto outros são comprados. O mundo encara uma recessão, que dura aproximadamente dois anos.

Mas também houve outras consequências. Uma delas foi o aumento significativo da importância dos chamado “ativos alternativos”: ativos que se comportam de forma diversa quando comparados aos ativos tradicionais do mercado, como ações ou títulos de dívida.

Os ativos alternativos, como ativos imobiliários, private equity ou dívidas judiciais, possuem menor correlação com outros ativos, o que traz verdadeira diversificação às carteiras dos investidores.

Outra consequência notável, evidentemente, foi a criação do bitcoin.

O bitcoin foi criado como uma alternativa à emissão desenfreada do dólar em épocas de crise, assim como vimos em 2008 (Imagem: Unsplash/@silverhousehd)

A fragilidade do sistema financeiro ficou evidente e a criação de uma moeda supranacional, descentralizada e imune às decisões de governos ou bancos centrais foi a saída encontrada por Satoshi Nakamoto. Mais um ativo para nossa lista de ativos alternativos — ou melhor, mais uma classe de ativo: os ativos digitais.

Agora, o ano é 2020. Palavras que não estavam em nosso vocabulário são incorporadas ao nosso dia a dia e repetidas à exaustão. Coronavírus. Pandemia. COVID-19. Quarentena. Isolamento. Lockdown.

Uma emergência de saúde pública, em sua essência, mas com efeitos devastadores sobre as economias. Segundo o FMI, o PIB dos EUA deve se contrair 5,9% em 2020; o da Itália, 9,1%; o do Brasil, 5,3%.

E ainda é cedo para avaliar. Temos uma pandemia em curso e não é possível vislumbrar claramente a porta de saída. Falamos em “novo normal” e em “quando tudo voltar ao normal”, mas o fato é que não sabemos como (nem quando) será.

Mas temos diversas ações de combate, ao menos no front financeiro.

Novamente, injeção de liquidez na economia e, desta vez, muito além do que foi feito em 2008.

Diga-se de passagem que a manchete no New York Times foi gravada para a posteridade no bloco imediatamente anterior ao halving do bitcoin, em tradução livre: “Com uma injeção de US$ 2,3 trilhões, o plano do FED excede e muito o resgate de 2008“.

A matéria, publicada no dia 9 de abril, noticia as iniciativas de auxílio financeiro do Federal Reserve em proteger a economia e os mercados financeiros do impacto da crise do coronavírus (Imagem: The New York Times)

Entre as duas crises, testemunhamos forte crescimento da presença dos ativos alternativos nas carteiras dos investidores.

A indústria de private equity cresceu mais de três vezes, seja em número de deals, seja em volume transacionado. Startups se tornaram unicórnios. Fintechs encaram de frente grandes conglomerados financeiros.

Do lado do investimento imobiliário, tomemos exemplo brasileiro. Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) caíram nas graças dos investidores, e o número dos que possuem alguma cota desse ativo cresceu mais de 60 vezes de 2010 até 2020.

E sobre criptoativos, vamos nos ater somente ao bitcoin: de uma ideia (um artigo publicado no final de 2008) para um ativo com capitalização de mercado que chegou a superar a cifra de R$ 1 trilhão em maio de 2020. Nada mal para o ativo que surge como uma resposta à crise de 2008.

Em termos tecnológicos, as possibilidades trazidas a reboque pela criação dos criptoativos são absolutamente revolucionárias.

Como citei em um artigo anterior, soluções que se apoiam em blockchain nos permitem atestar a propriedade, posse ou domínio de um ativo digital.

É essa característica que tem permitido que a MB Digital Assets, braço de ativos digitais do Mercado Bitcoin, seja pioneira na criação dessas representações digitais ou, como gostamos de falar, pioneira em tokenização.

A tokenização nos permite criar representações digitais de qualquer ativo. Os tokens são subseções do ativo real, herdando todas as suas características e concedendo ao detentor do token alguns direitos, respeitando-se a fração do ativo que ele detém.

Além das criptomoedas, temos os ativos digitais para o mercado imobiliário (chamados de “security tokens”), que representam ativos do mundo real e dão direitos específicos para seus detentores (Imagem: Freepik)

Foram objetos da tokenização, até agora, nove precatórios, tanto estaduais quanto federais, divididos em quatro tokens e, também, cotas de consórcio contempladas.

A mecânica é bastante simples: o detentor do ativo contrata a MB Digital Assets para tokenizar seu ativo. Após uma análise de viabilidade, define-se seu tokenomics: número de tokens, valor por unidade, entre outros atributos.

Confeccionamos um material informativo sobre os tokens, incluindo ciclo de vida do ativo real e expectativas sobre o valor futuro do ativo e, consequentemente, dos tokens.

Em seguida, entra em cena o Mercado Bitcoin, a exchange, o ambiente de negociação. Os tokens são disponibilizados para compra, a preço fixo, por um curto tempo. Após esse período, nada como o livre mercado: os tokens podem ser negociados livremente entre os clientes.

Eu poderia sugerir a compra de cotas de consórcio para você, leitor, mas, lamentavelmente ou melhor, felizmente, para nós todo o estoque foi vendido.

Também, pudera, sugerir aproximadamente 250% do CDI, ou mais, por questões tributárias, para correr risco de crédito de uma das maiores administradoras de consórcio do país, ligada a um dos maiores bancos públicos do Brasil.

Tokenizar o mundo é o nosso objetivo. Respeitar o ambiente regulatório é o nosso dever. Todo esse processo é feito com a mais absoluta atenção às leis e regras vigentes, tanto as específicas para criptoativos, como a IN 1888 da Receita Federal, quanto a de outros reguladores.

A fila de novos ativos é extensa: energia, futebol, imobiliário são alguns dos temas que estão na mesa.

Em tempos de crise, é fundamental um novo olhar sob a ótica da diversificação.

A tarefa que temos, em um mundo com juros baixos seja por uma questão estrutural ou emergencial, de resposta à pandemia e muita volatilidade, não é simples, mas as lições de crises anteriores e um olhar atento à inovação podem nos dar algum alento na construção de carteiras realmente diversificadas e que persigam retornos atraentes.

Fabrício Tota possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. É diretor no Mercado Bitcoin desde 2018, onde desenvolveu a área de OTC/grandes clientes. Hoje, está envolvido em diversas outras atividades da empresa, em especial as relacionadas a trading, research, dinâmicas do mercado de criptoativos e paralelos com o mercado financeiro tradicional.

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Última atualização por Lucas Rottgering - 04/06/2020 - 18:09