Congresso

Fim da escala 6×1: governo envia projeto e outros dois já tramitam na Câmara; veja diferenças

16 abr 2026, 11:44 - atualizado em 16 abr 2026, 11:44
jornada de trabalho
Fim da escala 6x1 de trabalho está em três propostas analisadas no Congresso (Imagem: Reuters/Amanda Perobelli)

A discussão sobre o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso) reúne atualmente três propostas no Congresso Nacional, com formatos e ritmos de tramitação diferentes. Duas delas são Propostas de Emenda à Constituição (PECs) já em análise na Câmara dos Deputados, enquanto a terceira é um projeto de lei protocolado pelo governo em regime de urgência constitucional.

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O projeto do governo, enviado na terça-feira (14) altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e propõe:

  • reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial;
  • estabelece uma jornada de trabalho de oito horas diárias e dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas cada.
  • Os repousos semanais remunerados “deverão coincidir, preferencialmente, com o sábado e o domingo, ressalvadas quanto à escolha dos dias as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho”.

A medida vale tanto para contratos em vigor como contratos futuros. A proibição da redução salarial se aplica a todos os regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes especiais.

O fim da escala 6×1 é bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação no X, o presidente declarou que a medida devolve tempo aos trabalhadores e significa um passo para um país mais justo.

Qual o próximo passo?

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Protocolado em regime de urgência constitucional, o projeto do governo precisa ser analisado pela Câmara e pelo Senado em até 45 dias. Caso contrário, a pauta legislativa fica travada até a votação da proposta com exceção das que tenham prazo constitucional determinado.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira, que não há acordo sobre a data de votação do projeto de lei enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional sobre o fim da escala 6×1.

“Eu não tenho nenhuma combinação nesse sentido, com data de votar projeto ou não votar. É um direito do presidente de mandar o projeto, e é um direito da Casa analisar no momento que acha que deve analisar. O que eu alertei é que nós já tínhamos uma tramitação acontecendo na Casa”, declarou Motta.

Quais as outras duas propostas?

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Além do texto do Executivo, há duas PECs em tramitação na Câmara que também tratam do tema.

A primeira foi apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e prevê “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”. Segundo o texto, a nova regra entra em vigor 10 anos após a data da publicação da emenda constitucional;

A segunda PEC, apresentada em 2026 pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), também prevê um teto de oito horas diárias e 36 semanais, mas com diferenças. O dispositivo adiciona “jornada de trabalho de quatro dias por semana”, o que transformaria a escala 6×1 em escala 4×3. Além disso, o texto define que a emenda constitucional entra em vigor um ano após a data da publicação.

As duas propostas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que adiou nesta quarta-feira (15) a votação do relatório favorável do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). O parecer de Azi não trata do mérito das PECs, ou seja, dos conteúdos propostos, mas sim da admissibilidade constitucional.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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