FMI pressiona Argentina para atualizar métrica de inflação — e que pode revelar quadro pior do que o esperado; entenda
O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a pressionar a Argentina por uma métrica mais atualizada para avaliar a inflação do país. O comunicado veio no âmbito do novo acordo de desembolso do órgão na semana passada.
“A prolongada demora na atualização do IPC deixou a metodologia desatualizada e menos representativa da atual cesta de consumo”, alertou o Fundo no staff report que aprovou a segunda revisão do Programa de Facilidades Estendidas (EFF, na sigla em inglês) que o organismo multilateral mantém com a Argentina.
O FMI ainda foi além, lançando luz sobre a imprecisão das estatísticas locais. “As contas nacionais também apresentam limitações em termos de desagregação e precisão, em parte como reflexo de um ano-base obsoleto. As estatísticas do setor externo também enfrentam restrições, já que os dados por competência fora do comércio de bens só estão disponíveis trimestralmente e com uma defasagem de três meses”, afirmou sobre as áreas e relatórios que medem o nível de atividade e os dólares que entram e saem do país.
“Ao mesmo tempo, o marco institucional que regula o Indec [o IBGE da Argentina] precisa ser modernizado. A equipe técnica do Fundo está disposta a continuar oferecendo assistência técnica para apoiar os esforços das autoridades voltados a corrigir essas deficiências e melhorar a qualidade geral dos dados”, informou o staff report do FMI.
Relembre o caso: Atualização de dados da Argentina
Em fevereiro deste ano, o chefe do Indec, Marco Lavagna, pediu demissão em virtude das divergências com o governo de Javier Milei após a decisão de adiar uma atualização da metodologia utilizada para calcular a inflação — uma medida delicada em um país marcado por escândalos de manipulação de dados no passado.
Voltando alguns passos, nos governos de Néstor e Cristina Kirchner ou de Guillermo Moreno, a Argentina viveu uma verdadeira falsificação dos índices de inflação, o que minou a confiança das autoridades internacionais no país. Atualmente, e o FMI destaca isso, não é o caso.
O órgão alertou que a metodologia do número oficial da inflação está desatualizada, que a atual cesta de consumo é menos representativa e que é necessária uma nova métrica para regular as estatísticas.
O Indec usa uma metodologia atual de medição da inflação baseada em uma cesta de consumo de 2004 — que inclui, por exemplo, gastos com aluguel de fitas cassete (ou VHS), mas não leva em conta as despesas com streamings.
Assim, a instituição havia reformulado a metodologia, que passaria a valer para os dados de janeiro deste ano. Entretanto, fontes não oficiais apontaram que Milei teria deliberadamente adiado a atualização da cesta porque ela apontaria que a inflação do país estaria pior do que o dado oficial mostra.
*Com informações do La Nación.