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Foto é boa, filme nem tanto: Prévia do PIB aponta crescimento, mas acende alerta

16 abr 2026, 11:30 - atualizado em 16 abr 2026, 11:30
pib brasil ibc-br
(Imagem: Gadini/pixabay)

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, voltou a apontar crescimento da economia brasileira em fevereiro, mas sem consenso sobre o fôlego dessa recuperação e com alertas no radar para os próximos meses.

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O indicador avançou 0,6% na comparação mensal, em linha com as expectativas do mercado, mas recuou 0,3% em relação ao mesmo período do ano passado, acendendo o debate sobre a consistência desse movimento.

Na leitura de Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, os dados reforçam que a atividade “ganhou tração” no início de 2026. O crescimento foi disseminado entre os setores, com destaque para a indústria (+1,2%), que engatou o quarto avanço consecutivo, e para os serviços, que acumulam sete meses seguidos de alta, ainda que em ritmo mais moderado.

A XP avalia que os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico voltaram a acelerar, indicando um início de ano mais robusto. A casa projeta crescimento de cerca de 1,1% no primeiro trimestre frente ao último trimestre de 2025 e expansão de 2% para o PIB neste ano, sustentada por renda elevada, mercado de trabalho aquecido e estímulos fiscais.

Já Matheus Pizzani, economista do PicPay, adota um tom mais cauteloso. Apesar da alta mensal, o profissional avalia que o resultado de fevereiro pode representar uma inflexão pontual, sem evidências suficientes de uma trajetória consistente de crescimento. Na visão dele, o desempenho positivo ainda não se traduz em tendência, especialmente diante da queda na comparação anual.

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“Embora o resultado na margem traga uma ‘foto’ positiva do nível de atividade medido pelo IBC-Br, seu filme sob um prisma mais extenso não confirma este cenário”, avalia Pizzani.

A leitura setorial reforça essa cautela. Embora a indústria tenha puxado o resultado, o crescimento segue concentrado em segmentos ligados à economia doméstica, impulsionados pelo mercado de trabalho resiliente e pela renda real mais elevada. Ao mesmo tempo, começam a surgir sinais de perda de fôlego, sobretudo na demanda das empresas e em parte do setor de serviços.

Uma visão intermediária é apresentada por Marcela Kawauti, economista da Lifetime, que vê uma trajetória de desaceleração, mas de forma gradual. O avanço de fevereiro veio abaixo do observado em janeiro, e a queda na comparação anual indica que o ritmo da atividade já começa a perder intensidade.

Segundo Kawauti, o desaquecimento ocorre de forma desigual entre os setores. A indústria ainda mostra força na margem, enquanto os serviços sustentam o crescimento no comparativo anual. Por outro lado, agropecuária e indústria registram retração nessa base de comparação, sinalizando um cenário menos homogêneo.

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Ela também destaca que fatores mais recentes, como é o caso da escalada dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre commodities, ainda não foram capturados pelos dados e devem influenciar as próximas decisões de política monetária.

Na Genial Investimentos, a leitura de Yihao Lin combina elementos de aceleração no curto prazo com cautela à frente. Para o economista, os dados são consistentes com uma recuperação da atividade no primeiro trimestre, especialmente nos setores mais cíclicos, que haviam perdido dinamismo ao longo do segundo semestre de 2025.

A expectativa da casa é de crescimento de 0,9% no primeiro trimestre e de 2% no acumulado de 2026. No entanto, após esse início mais forte, a tendência é de arrefecimento gradual ao longo do ano, refletindo o descompasso entre políticas fiscal e monetária em um ambiente de mercado de trabalho aquecido.

A Genial também projeta continuidade do ciclo de corte de juros, com a taxa Selic podendo encerrar o ano em 12,50%. Ainda assim, destaca que há riscos de uma trajetória mais elevada, diante da desancoragem das expectativas de inflação, do cenário externo adverso e de uma política fiscal potencialmente mais expansionista, especialmente em meio ao ciclo eleitoral.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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