TGAR11: Fundo imobiliário derrete 14% em três dias; o que está por trás e o que fazer
O fundo imobiliário TG Ativo Real (TGAR11) chamou a atenção nesta semana por um motivo ruim: caiu mais de 14% em apenas três dias. Afinal, o que explica esse tombo?
Na terça-feira (27), a administradora revisou para baixo a projeção de rendimentos do FII, para uma faixa entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por cota. O principal motivo para o novo guidance foram os impactos negativos da Selic em patamar restritivo, aponta o BB Investimentos em relatório.
Segundo o analista André Oliveira, apesar da ampla diversificação, o fundo não foi capaz de mitigar os efeitos do ciclo de alta de juros sobre o ritmo de vendas das incorporações. Logo, isso trouxe uma receita menor ao TGAR11, acrescenta.
Na avaliação do BB, esse cenário se intensificou no fim de 2025, somado à maior demora no recebimento dos repasses dos financiamentos das unidades vendidas e ao adiamento dos pagamentos das vendas dos loteamentos Cipasa/NovaColorado.
Consequentemente, esses fatores levaram a gestão a adotar um guidance mais conservador no seu relatório gerencial mais recente.
O TGAR11 possui patrimônio líquido (PL) de mais de R$ 2,5 bilhões investidos em 177 ativos, sendo 141 deles projetos imobiliários (equity). “Os projetos imobiliários apresentam desempenho atrelado a fatores macroeconômicos como emprego, renda e juros, respondendo por cerca de 83% do PL do fundo e por 85% da receita”, aponta o BB.
Vale a pena investir?
O BB Investimentos ressalta, no entanto, que mais de 72% dos projetos imobiliários estão com obras adiantadas (80% ou mais), reduzindo o risco de execução.
“Essa dinâmica ainda depende das vendas, mas, segundo a equipe da TG Core, enquanto as taxas de juros não se estabilizam, a gestora segue intensificando ações de marketing digital e reforçando o time de vendas, buscando manter o ritmo de comercialização”, afirma o BB.
Na análise da instituição, as oscilações no ritmo de vendas são naturais no segmento de incorporação, especialmente em ativos sem incentivos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), como o TGAR11.
O novo guidance é de R$ 0,70 a R$ 1,00/cota no primeiro semestre de 2026, representando um rendimento de dividendos entre 10,5% e 15% com base no preço atual de mercado, ainda atrativo para o BB.
“Portanto, considerando a provável entrada em um ciclo de cortes de juros em 2026, o que pode levar a uma possível reaceleração das vendas de unidades, seguimos com visão positiva para o TGAR, especialmente para o investidor mais arrojado”, diz o relatório.