Galípolo reitera efeito da política monetária mesmo com Desenrola e diz que BRB segue sem prazo
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reiterou que a política monetária vem atuando e mostrado efeito na moderação da atividade, mesmo diante de programas como o Desenrola. Galípolo mencionou ainda outras medidas com potencial de estímulo econômico recentes, como os precatórios e a isenção do imposto de renda (IR) até a faixa de R$ 5 mil.
“A política monetária vem botando o crescimento em um patamar mais próximo, por exemplo, do nível que entendemos ser o potencial de crescimento da economia brasileira. Vemos o comportamento de vários indicadores, como chamamos aqui, cíclicos, suavizando ao longo desse período a partir de um patamar de taxa de juros mais contracionista”, afirmou Galípolo.
De acordo com o banqueiro central na coletiva, a autoridade monetária não fez um estudo específico sobre o impacto do Desenrola na economia e acrescentou que a condução do BC de incorporar de forma gradativa os impactos que podem vir do programa tem sido acertada.
O diretor de Política Monetária e de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, complementou que é importante esperar para ver o efeito desses programas na economia. “A experiência tem mostrado que é bom esperar para ver a concretização de medidas”, disse.
No entanto, Picchetti pontuou que a política monetária é mais potente quando não há programa de crédito sensível à taxa Selic.
Já sobre a inflação, Galípolo observou que as estimativas para a inflação no curto prazo refletem a pressão de duas variáveis: o choque de oferta relacionado ao conflito no Irã e o choque de oferta relativo ao El Niño.
Balanço do BRB e multas
Em relação ao Banco de Brasília (BRB), Galípolo afirmou que as multas diárias vêm sendo aplicadas ao banco pelo atraso da divulgação do balanço e que não há nenhum tipo de perdão, ou waiver, em inglês, para a instituição.
“Os casos que se fazem necessários ou que a lei impõe a aplicação de multas por atraso, as multas vêm sendo aplicadas, não há nenhum tipo de waiver concedido para qualquer tipo de instituição”, disse.
Além disso, o presidente do BC afirmou que não há um prazo estabelecido pelo BC ao BRB para divulgar os resultados corporativos. Após atrasos, a expectativa é de que o banco divulgue os números em 29 de maio.
“O BC não acordou nenhum prazo com nenhuma instituição e acompanha diariamente as condições de liquidez e balanço de todas as instituição”, ressaltou.
Segundo Galípolo, a autoridade monetária acompanha o caso de todos os bancos, especialmente daqueles que demandam maior atenção, seguindo os ritos normais, sem comentar casos específicos de instituições financeiras.
Proteção do FGC
Na coletiva, Galípolo disse que não cabe à autarquia avaliar a proposta do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para ampliar a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas observou que é preciso ter cuidado para não distorcer o mecanismo.
“Tenho bastante receio de provocarmos uma distorção sobre qual é a finalidade do FGC e que passemos a atribuir tickets maiores de um risco maior que desequilibre essa equação que falamos de probabilidades de ocorrência de sinistro a partir disso”, afirmou.
O presidente do BC acrescentou que o FGC visa proteger o investidor de varejo, não um investidor institucional.