Inflação

Vilões da inflação? Alimentação no domicílio e serviços devem pressionar IPCA em 2026, alertam economistas

20 maio 2026, 11:00 - atualizado em 20 maio 2026, 9:58
(Imagem: iStock/ Andrzej Rostek)

Além do choque do petróleo, o fenômeno climático El Niño, previsto para ser mais intenso no fim deste e no início do próximo ano, deve trazer viés de alta para a inflação, de acordo com economistas consultados pelo Money Times.

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Segundo eles, os grupos que mais devem sentir os efeitos desses eventos são os serviços e a alimentação no domicílio. Em 2025, esta última atuou como um dos pontos de alívio da inflação, com alta de 1,42%.

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, conforme economistas consultados pelo Banco Central (BC), estava em 3,91% na pesquisa Focus até 27 de fevereiro, um dia antes do início do conflito no Oriente Médio. Já no dado de 15 de maio, a mediana do mercado avançou para 4,92%.

O número da Focus, no entanto, ainda pode subir mais, a depender das revisões altistas decorrentes dos efeitos do conflito no Oriente Médio e do El Niño.

O economista sênior da 4intelligence Fábio Romão elevou as estimativas para o IPCA deste ano de 5% para 5,2% ao incorporar os riscos do fenômeno climático. “É cada vez mais palpável que será um El Niño com impacto relevante para a dinâmica de preços”, afirma.

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Para Romão, a pressão no grupo de alimentação no domicílio parte tanto da guerra no Oriente Médio – com aumento nos custos de transporte dos alimentos e, mais adiante, nos fertilizantes – quanto do El Niño, que deve impactar o trimestre de novembro deste ano até janeiro de 2027 no Brasil.

“Devemos ver os alimentos in natura [frutas, legumes, verduras] pressionados, com a questão climática também pegando o feijão, e já temos um cenário de alta de 8% em carnes, devido ao ciclo do boi”, detalha o economista da 4intelligence. Ele acrescenta que leite e óleos podem apresentar preços mais elevados.

Antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, a 4intelligence projetava alta de 3,7% para a inflação de alimentação no domicílio. Agora, o número chega a 6,5%.

A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, corrobora o cenário traçado por Romão e estima alta de 4,9% para o IPCA em 2026. “Mas quando vemos esse balanço de riscos para cima, a projeção está mais perto de 5,2% ao considerar todos os efeitos da guerra”, diz.

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De acordo com Angelo, o conflito no Oriente Médio deve pressionar principalmente três grupos: bens industriais (40%), alimentação no domicílio (30% a 33%) e preços administrados (27% a 30%) – que incluem gasolina, óleo diesel e gás de cozinha.

Além disso, o El Niño deve adicionar 0,16 ponto percentual à inflação deste ano, nas estimativas da Warren. O impacto do fenômeno, porém, ainda deve respingar em 2027, com efeito marginal previsto em 0,05 ponto, complementa a economista.

“Temos uma inflação de 4% para o próximo ano, mas ela pode chegar a 4,8%”, afirma Angelo.

E os serviços?

Para a inflação de serviços, Romão projeta alta de 6% neste ano, número estável na comparação com 2025 (6,01%), pelos efeitos da guerra e do El Niño, mas acima dos 5,2% inicialmente previstos antes do conflito no Oriente Médio.

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“A princípio, sem choque de custos, nossa ideia era de que os juros ainda em patamar restritivo – ou seja, ainda com uma ‘gordura’ apesar dos cortes recentes –, os efeitos defasados da Selic alta na atividade, alguns sinais de perda de tração da economia e o endividamento das famílias poderiam mitigar alguns reajustes de preços previstos”, detalha o economista.

Contudo, ao considerar o encarecimento na base do sistema produtivo, o cenário mudou. “Um restaurante, por exemplo, é um serviço e nele tem embutido o custo da comida, que vai encarecer. Então, essa alta de preços chega aos serviços”, explica Romão.

Já Angelo, da Warren, prevê aceleração dos serviços na comparação anual para 6,5% também como um reflexo do encarecimento de itens básicos da cadeia produtiva.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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