Novas tarifas dos Estados Unidos impactam principalmente as empresas de pequeno porte, diz sócio da Voga Investimentos
O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de novas tarifas sobre produtos importados do Brasil. A medida já repercute no mercado, com queda do Ibovespa, e pode afetar principalmente as empresas brasileiras de pequeno porte, segundo Lúcio Moscarelli, sócio da Voga Investimentos.
A áliquota adicional de 25% anunciada nessa quarta-feira (15), sobre uma série de produtos brasileiros preocupa as empresas exportadoras do país.
Em entrevista ao Giro do Mercado de hoje, o especialista afirmou que, por não ser a primeira vez que os Estados Unidos decidem impor altas tarifas em produtos brasileiros é mais fácil prever os impactos econômicos.
“O Brasil é um país muito fechado, e é quem tem mais a perder com essas tarifas. Os principais bens que os próprios americanos importam, não estão na lista do tarifaço”, afirma Lúcio. Produtos como café, carne bovina e equipamentos para construção do setor aeronáutico, não foram tarifados.
“O impacto maior é para empresas de pequeno porte, que consiguiam ter uma vantagem comparativa, utilizando esse mercado americano como uma desova de produtos que aqui no Brasil não teriam tanta vantagem”, explica o sócio da Voga Investimentos.
Para Lúcio Moscarelli, é importante considerar o contexto da economia brasileira ao analisar os impactos das novas tarifas. Segundo ele, o cenário já é desafiador e a medida tende a agravar as dificuldades enfrentadas pelo país.
Para Lúcio, o mercado enxerga que a questão das tarifas é resultado de um mau dialógo do governo brasileiro com o americano.
“Na fala do prórpio Marco Rubio, que anunciou as tarifas, o governo brasileiro não teve boas tentativas para resolução de pendências economicas entre os dois países, algo que o Estados Unidos está fazendo com o mundo todo. Apesar do impacto pólitico, a motivação da tarifa não gira em torno dos candidatos às eleições de outubro”.
Além da aplicação das novas tarifas, o mercado também monitorou falas de Kevin Warsh, que partcipou ontem de sua primeira sabatina desde que assumiu a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
O especialista enxerga que Kevin Warsh traz uma nova perspectiva para a instituição.
“Antes tinha sempre uma tentativa de estabelecer um forward guidance o mais longo possível e colocar em palavras qual ia ser a tomada de decisão do banco. Agora, há uma sinalização de que é o mercado que dita para onde vão os juros”, afirma o especialista.
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*Com supervisão de Vitor Azevedo